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Guedes cita boa relação com Congresso e diz que democracia é 'barulhenta'

O ministro Paulo Guedes - Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência O Globo
O ministro Paulo Guedes Imagem: Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência O Globo

Eduardo Militão

Do UOL, em São Paulo e Brasília

20/04/2020 17h29Atualizada em 22/04/2020 17h14

O ministro da Economia, Paulo Guedes, reforçou a ideia de que há uma boa relação do governo com o Congresso, afirmou que a democracia brasileira "é barulhenta" e que os "poderes estão definindo seus espaços". Ele disse que Jair Bolsonaro é "um democrata" e que "merece" seguir com seu mandato.

"Vai dar tudo certo. Eu tenho uma enorme confiança na capacidade de processamento da democracia brasileira. Ela faz barulho, é barulhenta, empurram para cá, empurram para lá. Os poderes estão definindo seus espaços. É absolutamente natural isto, é uma definição de espaços. Mas o que nós estamos passando (...), estamos assistindo a um aperfeiçoamento institucional", afirmou, em live do banco BTG Pactual nesta segunda-feira (20).

Ontem, o presidente Jair Bolsonaro participou de um ato em que manifestantes pediam o fechamento do Congresso e do STF (Supremo Tribunal Federal) e apoiavam uma intervenção militar. O presidente foi criticado por políticos, partidos e ministros do Supremo. Hoje, Bolsonaro rebateu críticas e defendeu que o Congresso Nacional e o STF estejam "abertos e transparentes".

Para Guedes, "ao contrário de muitas expectativas" no início do governo de Jair Bolsonaro, "o país atravessou um bom primeiro ano". Guedes citou como sucesso a aprovação da reforma da Previdência no ano passado, e falou que começou o ano de 2020 otimista, com uma "transformação em pleno andamento", com o governo alinhado com o Congresso e com pautas de reformas afinadas.

Bolsonaro merece seguir com seu mandato

Guedes afirmou que, apesar das críticas por participar de um ato a favor de um golpe de Estado, com pedidos de intervenção militar e e fechamento do Legislativo e do Supremo Tribunal Federal, Jair Bolsonaro "é um democrata". Ele justificou o motivo de o presidente participar de um ato que quer o retorno da ditadura militar.

Ele não pode ver uma bandeira do Brasil e sai correndo atrás, entra, grita, abraça todo mundo. Repete os gritos de guerra da campanha, 'ah, vamos acabar com isso, com aquilo'."
Paulo Guedes, ministro da Economia

No entanto, enfatizou que Bolsonaro teria compromisso com a democracia. "Mas é um democrata. Está comprometido com isso. Nós temos compromisso com a democracia. Somos liberais democratas e conservadores numa aliança política de centro-direita, que merece e tem o direito de seguir com seu mandato. Merece a chance."

Guedes disse que Bolsonaro "deve cometer erros" como qualquer pessoa. "Tem trabalhado muito. O presidente é criticado de manhã, de tarde e de noite. Ele deve cometer erros, como nós cometemos de manhã ou de noite. Mas a crítica é de manhã, de tarde e de noite."

Economia como 'um urso hibernando'

Sobre a crise gerada pela pandemia do coronavírus, Guedes citou algumas medidas adotadas pelo governo e afirmou que "saímos das reformas estruturais e entramos na modalidade 'medidas emergenciais'".

"A orientação do presidente: preservar vidas e empregos. Medidas que pudessem ajudar a economia a preservar os sinais vitais. Sabíamos —e o presidente alertou isto, e foi mal interpretado: tem duas ondas. Tem a primeira onda, que é da saúde, e tem a segunda onda, que é a da economia. Temos que trabalhar as duas ondas. Não podemos deixar isso virar uma grande depressão. Nós temos que ter todos os cuidados para salvar as vidas, mas devemos preservar os sinais vitais da economia".

Ele usou como exemplo um "urso hibernando". "Quando ele sai da caverna ele sai forte, e vai caçar, e vai celebrar a vida. Porque ele não perdeu os sinais vitais, ele apenas economizou energia."

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado em uma versão anterior deste texto, a live com Paulo Guedes ocorreu nesta segunda-feira (20). A informação foi corrigida.