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Governo não pode gastar muito para não ser igual a Dilma e Lula, diz Guedes

Ministro da Economia afirmou que "o Brasil quebrou" por causa da política de gastos públicos dos governos do PT - Reprodução/TV Câmara
Ministro da Economia afirmou que "o Brasil quebrou" por causa da política de gastos públicos dos governos do PT Imagem: Reprodução/TV Câmara

Do UOL, em São Paulo

22/05/2020 17h50

O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou que a economia brasileira não vai crescer com base em gastos públicos, dizendo que esse foi o caminho adotado pelos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff (ambos do PT), e que "o Brasil quebrou por isso".

"O caminho desenvolvimentista foi seguido, o Brasil quebrou por isso, o Brasil estagnou. A política foi corrompida, a economia estagnou através do excesso de gastos públicos", afirmou. "Todo o discurso é conhecido: 'acabar com as desigualdades regionais'. É bonito isso, mas isso é o que o Lula, o que a Dilma estão fazendo há 30 anos. Se a gente quiser acabar igual à Dilma, a gente segue esse caminho."

As declarações foram feitas durante a reunião de ministros com o presidente da República, Jair Bolsonaro, no dia 22 de abril. O STF (Supremo Tribunal Federal) liberou a divulgação do vídeo da reunião. A publicidade da gravação foi pedida pelo ex-ministro da Justiça, Sergio Moro, como prova de que Bolsonaro teria tentado interferir politicamente na cúpula da Polícia Federal.

"Não vamos nos iludir. A retomada do crescimento vem pelos investimentos privados, pelo turismo, pela abertura da economia, pelas reformas. Nós já estávamos crescendo", disse o ministro.

Mais chance nas eleições

Segundo Guedes, se o governo federal se afastasse do "caminho desenvolvimentista" e reequilibrasse as contas, contendo o excesso de gastos públicos, as chances de reeleição de Jair Bolsonaro em 2022 seriam maiores.

"Nós temos que tomar cuidado e reequilibrar as coisas. Não pode ministro, para querer ter um papel preponderante este ano, destruir a candidatura do presidente, que vai ser reeleito se nós seguirmos o plano das reformas estruturantes originais", disse.

Na reunião, Guedes afirma que "tem muita gente" pensando nas eleições municipais deste ano

"O presidente tem que pensar daqui a três anos. Não é daqui a um ano, não. Tem muita gente pensando na eleição deste ano. É só a observação que eu faria", diz Guedes. "Eu estou fora de eleições municipais", emendou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

Crítica a governadores

O ministro também criticou o apelo de governadores pelo aumento dos gastos públicos como forma de combater a crise provocada pela pandemia de coronavírus, afirmando que estavam querendo "fazer a festa" com as finanças públicas.

"Está cheio de gente pensando nessa eleição agora, e botando coisa na cabeça de todo mundo aqui dentro. São governadores querendo fazer a festa, são às vezes ministros querendo aparecer, tem de tudo. E todo mundo vem aqui: 'vamos crescer, agora temos que crescer, tem que ter a resposta imediata, porque o governo vai gastar'. O governo quebrou! O governo quebrou! Em todos os níveis. Prefeitura, governador e governo federal", disse.

China deveria financiar reconstrução, diz Guedes

Paulo Guedes defendeu que a China deveria financiar um plano para a reconstrução econômica mundial após a pandemia.

Na reunião, o general Braga Neto, ministro-chefe da Casa Civil, apresentou o chamado Pró-Brasil, plano para unir ações ministeriais para a recuperação econômica. A estratégia foi comparada ao Plano Marshall, apresentando pelos Estados Unidos para a reconstrução de aliados europeus após a Segunda Guerra Mundial, mas Paulo Guedes não gostou do paralelo.

"Não se fala Plano Marshall, porque é um desastre. Vai revelar falta de compreensão das coisas", afirmou. "Plano Marshall, por exemplo, os Estados Unidos podem fazer um Plano Marshall para nos ajudar. A China (TRECHO EM SIGILO) deveria financiar um Plano Marshall para ajudar todo mundo que foi atingido. Então é uma inadequação, a gente tem que tomar muito cuidado; é plano Pró-Brasil [e não Marshall]", disse o ministro da Economia.

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