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Bancos elogiam austeridade fiscal de Guedes em reunião ministerial

"A mensagem do ministro Guedes [foto] foi positiva", afirmou Gelbaum - Jorge William/Agência O Globo
"A mensagem do ministro Guedes [foto] foi positiva", afirmou Gelbaum Imagem: Jorge William/Agência O Globo

Eduardo Militão e Carla Araújo

Do UOL, em Brasília

23/05/2020 21h47

O presidente da Associação Brasileira de Bancos Comercia (ABBC), Ricardo Gelbaum, afirma que o mercado financeiro viu com bons olhos a participação do ministro da Economia, Paulo Guedes, na reunião ministerial divulgada ontem pelo Supremo Tribunal Federal (STF) .

Segundo ele, ficou clara uma mensagem de austeridade e distribuição de recursos públicos durante a pandemia de coronavírus. "A mensagem do ministro Paulo Guedes, para o mercado, foi positiva, no sentido de ter um controle fiscal muito grande e uma preocupação de os recursos chegarem a todos as camadas da sociedade", disse Gelbaum ao UOL neste sábado (23).

Guedes defendeu a privatização do Banco do Brasil, mas o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) tirou o assunto de pauta na reunião, dizendo que era uma discussão "para 2023".

Gelbaum, que também é diretor do banco Daycoval, afirmou que, mais uma vez, o ministro mostrou interesse na redução do tamanho do Estado.

"Foi um comentário solto, mas está dentro do programa do ministro de [fazer] o que for necessário para diminuir a participação do Estado."

Gelbaum concorda com a visão do ex-presidente do Banco Central Armínio Fraga, que disse que era preciso fazer planejamento para a retomada da economia, mas que ainda não é o momento de realizá-la.

O executivo destacou que as empresas já rascunham programas de retorno gradual à normalidade. "Os governos estaduais, municipais e federais já deveriam também montar seus planos."

Um empresário com fortes ligações políticas, que pediu para não ser identificado, concorda com Gelbaum. Para ele, a reunião serviu para reforçar o apoio da agenda de Guedes.

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O presidente da empresa de programa de fidelidade Dotz, Roberto Chade, disse que se mostrou surpreso com a reunião por conta do "teor de colocações". "Numa reunião de trabalho, as pessoas são mais abertas mesmo", avaliou.

Ele disse que o tempo vai mostrar quais eram as posições do governo em certos temas e quais eram as opiniões particulares dos ministros. "Tem que entender o que, daqueles temas que foram tratados, são temas oficiais e o que são temas não oficiais."

Um alto executivo do setor aéreo disse que era preciso refletir melhor para "absorver" o que aconteceu na reunião. "Foi muita coisa", disse ele,negando o pedido de entrevista.

O empresário Abílio Diniz, presidente do Conselho de Administração da Península Participações, assistiu ao vídeo da reunião ministerial. Mas preferiu não comentá-lo. Em vez disso, elogiou a iniciativa do governo em fazer vodeoconferências com empresários.

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Um empresário avaliou que, ao final, a revelação do vídeo mostrou que "fez-se muito barulho por nada". Para ele, os xingamentos do presidente em relação aos governadores de São Paulo, João Doria (PSDB) e do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (SPC), devem ser minimizados.

"São todos atores", explicou. "Em reuniões fechadas, se fala muitas coisas, mas não vi ali indício do crime."