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Deputado rebate Bolsonaro sobre auxílio: "não admitia mais que R$ 200"

Marcelo Aro, deputado federal, rebateu Bolsonaro sobre o valor do auxílio emergencial - Pedro Ladeira/Folhapress
Marcelo Aro, deputado federal, rebateu Bolsonaro sobre o valor do auxílio emergencial Imagem: Pedro Ladeira/Folhapress

Do UOL, em São Paulo

12/06/2020 10h23Atualizada em 12/06/2020 10h52

Relator do projeto que culminou com a criação do auxílio emergencial, o deputado federal Marcelo Aro (PP-MG) rebateu uma postagem do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) no Twitter sobre a divergência de valores propostos entre a Câmara dos Deputados e o Executivo.

No começo da discussão, ainda em março, o governo sinalizou inicialmente com o valor de R$ 200 para cada parcela do programa de auxílio econômico durante a pandemia do novo coronavírus. Durante a sessão da Câmara que discutia um aumento do valor para R$ 500, e com a chance de o governo sair derrotado, Bolsonaro disse aceitar pagar R$ 600, valor final com o qual o projeto foi aprovado.

Em um tuíte publicado hoje, Bolsonaro tomou exclusivamente para o Executivo a decisão sobre o valor final do auxílio.

"Depois de o Congresso apoiar R$500 para o auxílio emergencial, estudos do governo federal, com responsabilidade fiscal e apoio da liderança do governo na Câmara, o Ministério da Economia alcançou os R$ 600 pagos em 3 parcelas. O maior programa de auxílio aos mais necessitados do mundo", escreveu.

Marcelo Aro, então, rebateu.

"Presidente, isso não é verdade. Vamos contar a história real? Fui relator do projeto. Seu governo foi contra o meu relatório desde o primeiro momento. Vocês não admitiam um valor acima de R$ 200,00", escreveu o deputado.

Extensão do auxílio gera nova divergência

Lançado em abril para assegurar uma renda para trabalhadores informais e famílias de baixa renda em meio à pandemia, o auxílio emergencial do governo federal soma cerca de R$ 123 bilhões em recursos orçamentários.

O benefício seria pago, inicialmente, em três parcelas. A ajuda da União em meio à pandemia, no entanto, deve ser estendida por mais dois meses. A dúvida hoje é quanto ao valor do auxílio. O governo prefere que cada nova parcela seja reduzida para R$ 300, enquanto o Congresso tende a defender a manutenção de R$ 600.

Ontem, porém, Bolsonaro disse que pode vetar eventual lei que prevê o pagamento de parcelas extras do benefício de R$ 600 dependendo do que for proposto. "A terceira (e em princípio, a última) parcela do socorro emergencial de R$ 600 atinge, aproximadamente, 50 milhões pessoas e a conta é maior que R$ 30 bilhões. Mas deve chegar, nos três meses, a R$ 150 bilhões", disse.

"Não se pode gastar mais, gostaria de gastar, mas se endividar muito, a gente extrapola a capacidade de endividamento. Se não tivermos cuidado, a Selic pode subir, vira o paraíso da agiotagem legalizada e cada vez mais a riqueza vai para pagar juros das dívidas. A gente tem que ter responsabilidade. Se a Câmara passar para R$ 400, R$ 500 ou voltar para R$ 600, qual vai ser a minha atitude para que o Brasil não quebre? Se pagar mais duas de R$ 600, vamos ter uma dívida cada vez mais impagável... é o veto", completou.