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Políticos milionários têm auxílio emergencial pago pelo governo, diz jornal

Benefício está sendo pago a quem tem patrimônio milionário graças a falha no cruzamento de dados - André Melo Andrade/Myphoto Press/Estadão Conteúdo
Benefício está sendo pago a quem tem patrimônio milionário graças a falha no cruzamento de dados Imagem: André Melo Andrade/Myphoto Press/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

29/06/2020 08h47

Candidatos nas últimas eleições que declararam patrimônios milionários estão recebendo o auxílio emergencial pago pelo governo, benefício destinado a trabalhadores informais em dificuldade financeira por conta da pandemia do coronavírus. Segundo um levantamento do jornal O Globo, a falta de cruzamento nos dados permitiu que a ajuda chegasse a políticos milionários.

A reportagem colheu informações do pagamento do auxílio emergencial, fornecidos pelo Ministério da Cidadania, e comparou com dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre as eleições de 2016 e 2018. O cruzamento apontou 136 pessoas que se candidataram nas últimas eleições com declarações de bens superiores a R$ 1 milhão e que estão recebendo o auxílio.

A Dataprev, empresa pública responsável pelo cruzamento de dados do auxílio, admite que não houve "previsão legal para verificação do patrimônio dos requerentes". Com isso, candidatos a prefeito, vice-prefeito, vereador, e deputado estadual e federal conseguiram ter o benefício liberado.

Há casos em que os dados dos políticos podem ter sido usados por outra pessoa para o cadastro no auxílio. No entanto, há também indícios de fraudes intencionais dos próprios requerentes.

É o caso do ex-prefeito de Vila Boa (GO) o engenheiro Hélio Raimundo. Ele tentou se reeleger em 2016 e declarou ao TSE um patrimônio de mais de R$ 5 milhões, que inclui uma fazenda de mais de mil hectares. Raimundo teve o auxílio emergencial aprovado pela Caixa no último dia 15 de maio.

Procurado, o político se defendeu alegando que está desempregado e que vendeu seu patrimônio para quitar dívidas de campanha. Ele usa, porém, o argumento de que não declarou o montante total dos gastos, o que configura crime eleitoral.

"Esse é o declarado, a gente não declara tudo. Não tem como declarar (todos os gastos para o TSE). Eu gastei uns R$ 2 milhões na campanha de 2016", disse Raimundo, que declarou gastos de R$ 23 mil na campanha de 2016 e R$ 67 mil no pleito de 2012.

Em outro caso relatado pela reportagem, um candidato a vice-prefeito de Contagem (MG) chegou a agradecer pela informação de que estaria recebendo o auxílio. "Vou ver o que aconteceu", afirmou Gil Diniz Neto, que declarou patrimônio de R$ 7,6 milhões ao TSE.