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Em 7 anos, sindicatos perdem 3,8 milhões de filiados, diz IBGE

Thâmara Kaoru

Do UOL, em São Paulo

26/08/2020 10h00

De 2012 para 2019, os sindicatos perderam 3,8 milhões de filiados no Brasil, segundo dados da Pnad Contínua, divulgados nesta quarta-feira (26) pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Em 2019, das 94,6 milhões de pessoas ocupadas no país, 11,2% ou 10,6 milhões de profissionais eram associados a sindicatos. É a menor taxa de sindicalização desde o início da série histórica, em 2012. Naquele ano, 16,1% da população ocupada era sindicalizada ou 14,4 milhões de profissionais.

Na comparação do ano passado com 2018, quando a taxa de sindicalização ficou em 12,5% ou 11,5 milhões de pessoas, a redução é de cerca de 900 mil filiados.

Segundo o IBGE, o fim da obrigatoriedade da contribuição sindical pode ter influenciado na queda das taxas de 2018 e 2019. A regra mudou com a reforma trabalhista de 2017.

531 mil sindicalizados a menos no setor público

Segundo o IBGE, o grupo administração pública, defesa e seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais reduziu sua população sindicalizada em 531 mil pessoas, a maior queda anual de toda série histórica. A taxa de sindicalização desse grupo ficou em 18,4%, e, pela primeira vez, foi inferior à taxa do grupo agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura.

"Diante da tramitação da reforma da Previdência, em 2019 vários servidores públicos que já reuniam alguns requisitos para aposentadoria adiantaram seus pedidos. No primeiro semestre de 2019, houve mais pedidos de aposentadoria no setor público do que em todo o ano de 2018. Os servidores mais antigos costumam ser associados a sindicatos, e suas aposentadorias representaram uma queda na taxa de sindicalização", disse a analista do IBGE Adriana Beringuy.

A indústria geral passou de 15,2% para 13,5% entre 2018 e 2019, o equivalente a 150 mil sindicalizados a menos. Dados do IBGE mostram que no mesmo período, a população ocupada nessa atividade aumentou em 380 mil pessoas.

O grupo comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas, que é responsável por cerca de 18,9% da população ocupada, também registrou queda na taxa de sindicalização passando de 8,1% em 2018 para 7,4% em 2019.

Agricultura apresenta aumento de sindicalizados

Em 2019, o grupo agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura alcançou a maior taxa de sindicalização, de 19,4%. Foi o único grupo a ter alta no índice. Segundo o IBGE, essa atividade possui participação importante dos sindicatos de trabalhadores rurais, o que eleva a cobertura sindical, principalmente nas regiões Nordeste e Sul.

Todas as regiões apresentaram queda

Segundo o IBGE, todas as grandes regiões tiveram redução de sindicalizados entre 2018 e 2019. No Sudeste, por exemplo, a queda foi 7,1% (354 mil pessoas a menos).

Em relação a 2012, a região Sul registrou a principal perda, passando de 20,3% para 12,3%. A queda desse percentual pode estar relacionada à redução da ocupação no grupo indústria geral, diz o instituto.