PUBLICIDADE
IPCA
0,86 Out.2020
Topo

Supermercados limitam pacotes de arroz por cliente no interior de São Paulo

Supermercado de Sumaré limita compra de arroz por cliente - Arquivo pessoal
Supermercado de Sumaré limita compra de arroz por cliente Imagem: Arquivo pessoal

Felipe Pereira

Colaboração para o UOL, em Campinas

09/09/2020 12h03Atualizada em 09/09/2020 17h30

Se o susto na hora de ver o preço do arroz já tem levado muitos consumidores a refazer as contas do orçamento doméstico, agora eles se depararam com um novo problema: a restrição. Alguns supermercados da região de Campinas, interior de São Paulo, têm limitado a quantidade de pacotes de arroz por cliente.

O problema foi relatado por consumidores em estabelecimentos de Campinas, Piracicaba, Americana e Sumaré, no interior do estado. Nos mercados, cartazes informam as razões do aumento do preço e a limitação da quantidade que pode ser adquirida, geralmente de três a quatro sacos. Os preços variam entre R$ 19,99 a R$ 24,99.

"Me assustei quando vi o papel alertando sobre a quantidade. Parece que estamos num mundo pós-apocalíptico", afirmou o estudante Ricardo Pedrosa, 25, que vive em Americana. Apesar de só comprar um saco de arroz por mês, ele disse estar indignado com a situação.

Parece como no começo da pandemia do coronavírus, quando todo mundo comprava muito papel higiênico. Acho que estão comprando em lote para não ter que pagar ainda mais caro.
Ricardo Pedrosa, estudante de Americana (SP)

Oficialmente, os supermercados não falam em desabastecimento e consideram a limitação de produtos uma "atitude normal".

Pacote de arroz de cinco quilos chega a custar R$ 21,98 em Campinas (SP) - Felipe Pereira/UOL - Felipe Pereira/UOL
Pacote de arroz de cinco quilos chega a custar R$ 21,98 em Campinas (SP)
Imagem: Felipe Pereira/UOL

Com lojas em 16 municípios da região de Campinas, a rede Pague Menos, que está restringindo os sacos de arroz por cliente, disse que "é comum haver limitação de produtos por CPF, principalmente quando se trata de produto em oferta. Com isso, evitamos que 'pequenos comerciantes' comprem em volume e revendam com preços abusivos", afirmou Junior Souza, gerente executivo comercial.

Souza diz que a rede comprou arroz dos fornecedores com preço 40% mais alto, mas garante que ainda não repassou o aumento aos consumidores.

Loja do Carrefour entre Campinas e Valinhos limita pacotes de arroz em promoção por cliente - Felipe Pereira/UOL - Felipe Pereira/UOL
Carrefour limita pacotes de arroz em promoção por cliente
Imagem: Felipe Pereira/UOL

Em uma loja do Carrefour, no limite entre Campinas e Valinhos, a reportagem encontrou um produto da marca própria, comercializado a aproximadamente R$ 16, com limite de venda de até cinco unidades por cliente.

A empresa explicou ao UOL que tem restringido a quantidade em produtos de marcas alternadas conforme o estoque, e que percebeu aumento na procura pelos itens da cesta básica. "Diante do atual cenário, o Grupo Carrefour Brasil está mobilizado em todos os seus formatos para que itens essenciais da cesta básica estejam disponíveis a preços justos", informou.

"Difícil de substituir"

O preço alto e o medo de desabastecimento deixaram a dona de casa Larissa Maria Medeiros, 28, apreensiva. Moradora de Campinas, ela compra dois sacos de arroz por mês. Na última compra, pagou quase R$ 26 pelo saco de cinco quilos.

Eu quase caí para trás quando vi o preço. Fiquei muito preocupada com meu orçamento. Não dá para ficar sem, é um alimento difícil de substituir. Não tive como não comprar.
Larissa Maria Medeiros, dona de casa de Campinas

"Fico pensando nas famílias que estão numa situação mais complicada que a minha e que têm mais membros. Eu não pretendo fazer estoque, vou deixar para o próximo", disse. Só por causa desse aumento, ela estima ter que gastar quase 20% a mais do que o previsto com as compras.

Levantamento feito pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, mostra que a alta do arroz chega a 100% em 12 meses.

Supermercados dizem que abastecimento está garantido

A Abras (Associação Brasileira de Supermercados) informou que o setor "tem se esforçado para manter os preços normalizados e vem garantindo o abastecimento regular desde o início da pandemia nas 90 mil lojas de todo o país". A entidade garantiu que não deve faltar produto nas gôndolas.

Nesta quarta-feira, o presidente da Abras, João Sanzovo Neto, participa de reunião com o presidente Jair Bolsonaro e com o ministro da Economia, Paulo Guedes, em Brasília.