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Ex-ministro: Bolsonaro é 'presidente dos sonhos' de protecionistas europeus

Rubens Ricupero critica política ambiental de Bolsonaro - Eduardo Knapp - 8.mai.15/Folhapress
Rubens Ricupero critica política ambiental de Bolsonaro Imagem: Eduardo Knapp - 8.mai.15/Folhapress

Colaboração para o UOL

08/10/2020 09h10

O diplomata e ex-ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, criticou a atuação do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para conter a devastação da floresta amazônica. Em entrevista para O Globo, afirmou que os mercados internacionais podem se fechar.

Ontem, o Parlamento Europeu aprovou uma emenda recomendando que o acordo Mercosul e União Europeia não seja assinado. Segundo o jornal, a situação abre caminho para lobbies protecionistas europeus, como o francês, e pode trazer consequências desastrosas para negociações em andamento.

"O presidente Bolsonaro está fazendo o jogo dos lobistas europeus, que veem nele o presidente do Brasil dos sonhos", afirmou o ex-ministro ao jornal.

Para Ricupero, a política ambiental brasileira pode causar problemas com parceiros como os Estados Unidos, o Canadá, o Japão e o Reino Unido. No caso dos EUA, a situação pode mudar caso o democrata Joe Biden derrote Donald Trump. Em um debate, Biden já avisou que o Brasil poderá sofrer sanções econômicas por causa do desmatamento.

O Canadá retomou as negociações para um acordo de livre comércio com o Mercosul, mas que podem não avançar. Já o Reino Unido estuda punições para importadores que comprarem produtos oriundos de áreas recentemente desmatadas no Brasil.

"O Brasil estava tentando negociar acordos com vários países e agora não vejo muita perspectiva de que isso possa acontecer. Mesmo o Reino Unido, que deixou a UE, também analisa a adoção de medidas para que nenhuma importação do Brasil se origine de áreas recentemente desmatadas. Todos os mercados estão se fechando", salientou o ex-ministro ao jornal.

Para o consultor internacional e ex-secretário de Comércio Exterior, Welber Barral, é necessário a adoção de novas medidas na área ambiental, para conseguir a aprovação de um acordo com a UE. Barral acredita que, mesmo que a votação no Parlamento Europeu tenha sido simbólica, é um alerta de que a situação pode piorar.

"Embora seja uma votação simbólica, ela reflete a crescente relevância do tema ambiental na agenda política europeia. Sem um esforço do Brasil em implementar medidas concretas e melhorar sua imagem, o acordo dificilmente avançará no futuro visível", afirmou para O Globo.

Presidente do Instituto de Relações Internacionais e de Comércio Exterior (Irice) e ex-embaixador do Brasil nos EUA e no Reino Unido, Rubens Barbosa lembrou que o acordo com o bloco europeu está dividido em três partes: a política, a econômica e a comercial. Segundo ele, a Comissão Europeia está tentando desvincular a parte comercial, para que apenas os dois outros segmentos sejam votados pelo Parlamento.

"Do ponto de vista comercial, poderá não ter qualquer efeito, A própria Comissão Europeia quer separar a parte comercial, depois que o Parlamento votar os outros dois temas", observou ao jornal