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Maia critica Guedes por privatizações: 'mandou uma que está sob suspeição'

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o ministro da Economia, Paulo Guedes (11/08/2020) - Gabriela Biló/Estadão Conteúdo
O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o ministro da Economia, Paulo Guedes (11/08/2020) Imagem: Gabriela Biló/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo e em Brasília

11/12/2020 18h49Atualizada em 11/12/2020 20h01

O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), criticou o ministro da Economia, Paulo Guedes, por falta de privatizações e disse que o único projeto que ele mandou para o Congresso Nacional está atualmente sob suspeição. A declaração foi feita durante Fórum Empresarial promovido pelo LIDE (Grupo de Líderes Empresariais), em São Paulo, na noite de hoje

"Eu acho muito interessante porque seis meses atrás eu fiquei até empolgado. O ministro da Economia disse que faria em 90 dias quatro privatizações", iniciou Maia. "Eu estou procurando as privatizações até hoje. Procurando por um lado, procurando por outro, e não vi nenhuma até agora. E a única que ele colocou está sob suspeição, que é a Eletrobras. Isso porque está negociando modelagem, beneficiando acionistas. Eles querem colocar uma usina, que vai beneficiar acionistas da Eletrobras. Quero vê-lo dizer agora que é mentira", acrescentou, em seguida.

A promessa não cumprida citada por Maia, em seu discurso no evento, foi feita por Paulo Guedes em julho deste ano. Na ocasião, ele não adiantou o nome das empresas, mas indicou que os Correios deveriam fazer parte da lista. Guedes chegou a reconhecer que as privatizações não avançaram na velocidade prometida, mas atribuiu a demora ao tempo mais vagaroso da política e à paralisação causada pelo coronavírus.

Em Brasília, o ministro rebateu as críticas feitas por Maia e disse que o deputado tem um acordo com a oposição na Câmara para impedir o andamento de projetos de privatizações na Casa.

"Ora, ele tem um acordo com a esquerda de impedir as privatizações. Ele tem um acordo. Só descobri agora depois de dois anos, depois de perder também meu secretário especial de privatizações. Como vou privatizar se não entra na pauta?", falou.

"Abismo fiscal" sem PEC Emergencial

Ainda durante o evento, Rodrigo Maia também criticou a desistência de discussão sobre a PEC Emergencial neste ano no Senado, e afirmou que o país está diante de um "abismo fiscal". Ele também acusou Guedes e o governo Bolsonaro de fazerem um "cambalacho".

O relator da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) Emergencial, senador Marcio Bittar (MDB-AC), anunciou em nota hoje o adiamento da apresentação do relatório da medida para o ano que vem, alegando a complexidade do tema e a atual conjuntura do país, sem entrar em detalhes.

"Estamos falando sobre a PEC Emergencial desde o ano passado, e resolveram fazer um cambalacho: 'olha, tira da Câmara, que está forte, e joga no Senado, e o Senado vai resolver todos problemas e assim enfraquecer a Câmara'. É assim que funciona a política brasileira. E agora, mais uma vez, decidiram não votar a PEC emergencial porque tinham eleição municipal e agora deixaram para o próximo ano, vamos entrar em um grande abismo fiscal porque o que o Guedes dizia que era emergencial, não é mais. Agora ninguém precisa mais da PEC Emergencial", afirmou Maia.

Guedes rebate Maia

O ministro da Economia reclamou de cobranças públicas de Maia perante projetos que esperam serem analisadas e votadas no Congresso Nacional, como a reforma administrativa e a PEC do Pacto Federativo. Em relação a essa última, disse que Maia deve receber um bolo de aniversário em sua casa, uma vez que a PEC está há mais de um ano parada no Congresso.

"É muito fácil disfarçar desentendimentos políticos passando a conta para quem já fez sua parte", afirmou Guedes, ao se referir a brigas políticas pela sucessão da Presidência da Câmara que tem travado a pauta da Casa.

Quanto à reforma tributária, Guedes disse que coube ao governo contribuir com as propostas já no Congresso e defendeu que o ministério chegou a escrever partes delas. Ele alegou não conseguir ajudar mais porque ainda não recebeu o parecer por parte do relator do assunto, deputado Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) - aliado de Maia e um dos cotados para ser o candidato a sucedê-lo no comando da Câmara.

O ministro da Economia falou que quem controla a pauta da Câmara é uma "aliança de centro-esquerda", embora quem tenha ganhado as eleições de 2018 ser uma "aliança de centro-direita". Ao seu ver, há uma "disfuncionalidade", mas disse não caber a ele resolver isso e, sim, à política.

As declarações foram dadas em uma audiência da comissão mista do Congresso Nacional que acompanha ações do governo relacionadas à pandemia da covid-19.

Histórico de conflitos

No final de setembro, Guedes já tinha chegado a falar que Maia estaria negociando com a esquerda para não pautar as privatizações. Em resposta, o presidente da Câmara chamou o ministro de "desequilibrado".

Após acusações e trocas de farpas, Rodrigo Maia e Paulo Guedes fizeram as pazes publicamente no início de outubro, durante um jantar organizado pelo ministro do TCU (Tribunal de Contas da União), Bruno Dantas, para reaproximar a dupla e colocar panos quentes na confusão.

Na época, Maia pediu desculpas a Guedes diante das câmeras, e reforçou a necessidade de acelerar as reformas e regulamentar o teto de gastos.

Na semana passada, o STF (Supremo Tribunal Federal) votou pela inconstitucionalidade durante sessão de julgamento em plenário virtual, e impediu que os atuais presidentes da Câmara, Rodrigo Maia, e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), de disputem a reeleição na mesma legislatura.

A decisão do julgamento foi amplamente comemorada nos bastidores do Planalto, que tenta emplacar o candidato à Presidência da Câmara no lugar de Maia. Como resposta, Maia chegou a dizer que o governo estava "desesperado" para tomar conta do posto hoje ocupado por ele.

Maia ataca Bolsonaro

Durante o evento, Rodrigo Maia também atacou o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), que, segundo ele, comanda um governo que não reconhece a calamidade provocada pela pandemia do novo coronavírus.

"Nenhum parlamento no mundo, acredito eu, conseguiu construir uma emenda constitucional de forma tão rápida para enfrentar a pandemia. Mas para esse governo é uma incoerência falar em calamidade, até porque até hoje ele não reconheceu que há uma pandemia e que há pessoas morrendo. Certamente, para ele, não há calamidade", ressaltou.