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Com Lira ou Baleia, Câmara deve rediscutir aumento de ajuda a vulneráveis

Ambos os candidatos à Presidência da Câmara defendem a discussão sobre o aumento do Bolsa Família ou a prorrogação do auxílio emergencial - Reprodução/ Ailton de Freitas/Agência O Globo
Ambos os candidatos à Presidência da Câmara defendem a discussão sobre o aumento do Bolsa Família ou a prorrogação do auxílio emergencial Imagem: Reprodução/ Ailton de Freitas/Agência O Globo

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

07/01/2021 13h23

Independentemente se Arthur Lira (PP-AL) ou Baleia Rossi (MDB-SP) vencer a eleição à Presidência da Câmara dos Deputados, a Casa deve voltar a discutir o aumento de ajuda financeira à população mais vulnerável em 2021.

Ao lançar oficialmente sua candidatura ontem, Baleia defendeu que se aumente o Bolsa Família ou se volte com o auxílio emergencial para a parcela mais pobre da sociedade em meio à continuação da pandemia do novo coronavírus.

Ele ressaltou que, ao contrário do esperado por alguns, a pandemia não acabou neste novo ano e milhões de brasileiros voltarão a ter dificuldade até para comprar comida com o fim do auxílio emergencial disponibilizado pelo governo federal.

"Entendo que nós temos que buscar uma solução. Ou aumentando o Bolsa Família ou buscando novamente um auxílio emergencial para os mais vulneráveis", disse.

Hoje, em resposta indireta às declarações de Baleia, Arthur Lira - líder do centrão bolsonarista e candidato apoiado pelo Palácio do Planalto - também procurou mostrar que pretende rever o assunto, se eleito.

Pelo Twitter, disse que "a crise segue profunda e precisamos cuidar dos mais pobres reorganizando os programas de renda mínima mas sem abrir mão da austeridade fiscal e do teto de gastos".

"A demagogia fiscal sempre custa caro para o país e em especial para os mais pobres", acrescentou.

Baleia Rossi conta com o apoio do atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e de bloco composto por 11 partidos, tanto de centro quanto de esquerda - MDB, PSDB, DEM, PSL, Cidadania, PT, PSB, Rede, PCdoB, PDT e PV. As siglas ao lado dele somam, juntas, 261 parlamentares. Ou seja, em tese, todos esses partidos defendem essa revisão.

O candidato tem histórico de defender uma agenda de viés liberal, com a execução de reformas, por exemplo - ele mesmo sendo autor da principal proposta da reforma tributária. No entanto, atualmente, não deixa de tratar de um eventual aumento na ajuda aos mais pobres.

Quando o governo federal propôs o auxílio emergencial, a ajuda teve a aprovação da maioria dos congressistas, que até aumentaram o valor inicial sugerido de R$ 200 para R$ 600. Ainda assim, a pauta continua a ser mais relacionada aos partidos de oposição.

Essa ampliação de uma ajuda financeira foi, inclusive, um dos pontos articulados pela esquerda para que apoiasse Baleia. Somente o PSOL permanece em dúvida quanto a apoiá-lo ou lançar candidato próprio.

Embora Lira também tenha falado em reorganizar programas de renda mínima, o governo não esteve tão disposto a fazer mudanças drásticas no Bolsa Família ou no auxílio emergencial no ano passado.

Após meses de discussões, uma eventual ampliação no Bolsa Família com outro nome acabou não saindo do papel. Uma possível prorrogação de parcelas do auxílio emergencial, como querem os partidos oposicionistas, foi barrada no Congresso Nacional com a ajuda do próprio centrão liderado por Lira.

O candidato hoje reúne 196 parlamentares nas siglas que o apoiam - PL, PP, PSD, Republicanos, Solidariedade, Pros, Patriota, PSC e Avante. Como o voto é secreto, isso possibilita mudanças de opinião na hora da votação de ambos os lados.