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Bolsonaro 'agradece' caminhoneiros e convoca reunião sobre preço do diesel

Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

04/02/2021 12h12Atualizada em 04/02/2021 12h54

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) convocou para amanhã (5) uma reunião a fim de "tratar de combustíveis no Brasil" e deve, ao longo dos trabalhos, discutir possibilidades que possam levar a redução no preço do diesel.

Essa é uma demanda dos caminhoneiros, que ameaçam entrar em greve —fato que acarretaria em prejuízos à logística de abastecimento no país.

De acordo com a avaliação do próprio Bolsonaro, uma paralisação da categoria levaria a um momento de caos no país, sobretudo em meio à pandemia do coronavírus. Ele agradeceu pela "não adesão" ao movimento que havia sido anunciado durante o fim de semana para ocorrer na última segunda-feira.

Todos nós perderíamos, sem exceção
Jair Bolsonaro

"O Brasil não pode parar. Não podemos esquecer que a tal da pandemia ainda existe. Se bem que alguns números não são confiáveis", declarou ele, durante discurso realizado em cerimônia de entrega de obra pública em Cascavel, no Paraná, na manhã de hoje. O presidente não apresentou provas de que os números não são confiáveis.

Para Bolsonaro, um dos pontos que precisa ser discutido é a cobrança do ICMS. Segundo ele, o imposto tem "um valor em cada estado" e "varia de hoje para amanhã". Essa oscilação teria impacto direto na alta dos preços dos combustíveis. "Temos que viver na base da previsibilidade. Se não, fica difícil de se programar. Essa questão de combustível tem que ser tratada dessa maneira".

Segundo o presidente, a reunião deve ser de manhã e "tem a ver com caminhoneiros, taxistas, uber e quem tem carro particular". Ele também disse que pretende fazer questionamentos no evento.

Em 27 de janeiro, diante das reclamações de caminhoneiros —categoria que concentra muitos apoiadores do presidente—, Bolsonaro havia dito que estava em estudo a possibilidade de diminuir o PIS/Cofins que incide sobre o diesel. Seria uma das alternativas com o intuito de baixar os preços cobrados "na ponta da linha" —isto é, nas bombas.

O governante alertou, no entanto, que a medida teria um significativo impacto fiscal e afirmou que "a solução não é fácil".

Apesar de sinalizar um movimento em favor dos caminhoneiros, não cabe a Bolsonaro manipular o preço dos combustíveis, já que este segue as leis de mercado e é calculado a partir de diversos fatores. Além disso, qualquer ato dessa natureza simboliza uma intervenção na Petrobras. Em várias oportunidades, o governante se disse contrário a interferências na estatal.