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Bolsonaro indica prorrogação do auxílio emergencial: 'acho que vai ter'

Presidente da República disse que Guedes já trabalha com a possibilidade de renovar o auxílio - Alexandre Neto/Photopress/Estadão Conteúdo
Presidente da República disse que Guedes já trabalha com a possibilidade de renovar o auxílio Imagem: Alexandre Neto/Photopress/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo*

08/02/2021 18h15

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) deu uma sinalização mais clara hoje de que o seu governo trabalha para definir a prorrogação do auxílio emergencial, que acabou ao final de 2020, apesar de algumas parcelas referentes ao ano passado ainda terem sido pagas até o final de janeiro deste ano. Questionado sobre uma nova leva de parcelas do benefício, Bolsonaro indicou que a tendência é de reativação do auxílio em breve.

"Eu acho que vai ter, vai ter uma prorrogação", afirmou o presidente em entrevista ao apresentador José Luiz Datena, na TV Bandeirantes.

Pouco antes, Bolsonaro já havia dito que o ministro da Economia, Paulo Guedes, trabalha com a ideia de alinhar o projeto da prorrogação do auxílio emergencial caso a economia siga patinando por conta da pandemia de covid-19, que vive atualmente uma segunda onda no país.

"O Paulo Guedes tem dito, se a pandemia continuar e a economia não pegar, vamos discutir para ontem a prorrogação do auxílio emergencial", afirmou o presidente.

O valor do benefício deve ser menor do que as parcelas que foram pagas em 2020, de R$ 600 e depois R$ 300. A hipótese que vem ganhando mais força é de pagar R$ 200 por mais três meses. O valor é o mesmo que o governo federal pretendia dar de auxílio no início da pandemia, em março do ano passado, até o Congresso Nacional aprovar um projeto com o valor de R$ 600.

Preocupação com gastos

Com o valor a ser pago e o número de parcelas ainda indefinido, Bolsonaro demonstrou preocupação sobre os gastos que a prorrogação da ajuda pode representar ao Executivo e o consequente endividamento.

"Você pode ver, foram cinco meses de R$ 600 e quatro meses de R$ 300, o endividamento chegou na casa dos R$ 300 bilhões, isso tem um custo. O ideal é a economia voltar ao normal", afirmou o presidente.

Bolsonaro também citou uma possível desvalorização do real frente ao dólar como uma questão a se preocupar para o futuro ao considerar a continuidade do auxílio.

"Sabemos que isso aí traz problemas para a economia e se o dólar subir aumenta o preço do combustível lá fora. Você pode ver, aproximadamente 30% do diesel que nós consumimos vem de fora para dentro. Se o preço não for compensado, o pessoal não vai exportar diesel para a gente", acrescentou.

A teoria do presidente é de que o possível endividamento do Estado possa trazer consequências no consumo interno brasileiro.

"Os brasileiros estão com dificuldade? Sim. Mas mais um endividamento? Se eu não fizer com responsabilidade, sobe a desconfiança no mercado, sobe o preço do dólar, sobe o preço de combustível? É uma bola de neve. Não é só 'vou fazer'. Se fosse, o ideal seria dar R$ 10 mil para cada um até esse vírus sair", afirmou.

"Invisíveis"

Na semana passada, Guedes disse que o foco do novo auxílio emergencial terá que ser nos "invisíveis", como o ministro da Economia se refere a famílias de baixa renda que estão fora de outros programas sociais do governo, como o Bolsa Família. Para esses brasileiros mais vulneráveis, o auxílio vinha sendo a única fonte de renda.

O governo estuda uma forma de bancar a prorrogação sem furar o teto de gastos, que impõe um limite ao crescimento anual das despesas, não permitindo que elas ultrapassem a variação da inflação.

Internamente no governo Bolsonaro, a reativação do auxílio tem sido chamada de Benefício de Inclusão Produtiva.

No ano passado, o auxílio emergencial foi criado para fornecer uma fonte de renda aos mais afetados pela pandemia, com foco nos trabalhadores informais. O benefício chegou a 64 milhões de brasileiros e custou R$ 293 bilhões em 2020.

*Com informações da Reuters