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Veto parcial de Bolsonaro é saída mínima para aprovar Orçamento, diz Ramos

O deputado federal Marcelo Ramos (PL-AM), primeiro-vice-presidente da Câmara - ADRIANO MACHADO
O deputado federal Marcelo Ramos (PL-AM), primeiro-vice-presidente da Câmara Imagem: ADRIANO MACHADO

Carla Araújo, Luciana Amaral e Hanrrikson de Andrade

Do UOL, em Brasília

06/04/2021 12h11

O vice-presidente da Câmara dos Deputados, Marcelo Ramos (PL-AM), afirmou hoje que, a fim de solucionar o impasse quanto ao Orçamento antes do prazo final, 22 de abril, não há "saída que não parta pelo menos por um veto parcial" do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

De acordo com o parlamentar, esta seria, portanto, uma alternativa para alinhar as expectativas e demandas do Executivo e do Congresso Nacional.

"Não tem saída que não parta pelo menos por um veto parcial".
Marcelo Ramos (PL-AM)

O Orçamento de 2021 foi elaborado com o objetivo de consolidar o centrão na base aliada do governo Bolsonaro e, dessa forma, ajudar em seus planos para a reeleição em 2022. O texto foi aprovado no Parlamento sob críticas internas da equipe econômica e reacendeu uma "guerra" entre os ministros Paulo Guedes (Economia) e Rogério Marinho (Desenvolvimento Regional).

Em detrimento das despesas obrigatórias, o Orçamento deste ano conta com mais recursos a emendas parlamentares do que a equipe econômica diz considerar possível. Agora, Paulo Guedes tenta reverter até cerca de R$ 30 bilhões destinados a emendas para o pagamento desses gastos.

Questionado se a situação será resolvida antes de 22 de abril, Ramos afirmou que acredita que o Brasil "não pode esperar" até o fim do prazo.

Ainda não há, no entanto, consenso com os parlamentares. Muito menos com Rogério Marinho, um dos principais fiadores para a destinação de verbas vinculadas aos senadores e deputados federais.

Nos últimos meses, Marinho tem sido um articulador direto entre Bolsonaro e os congressistas, além de ser figura carimbada ao lado do presidente em viagens Brasil afora.

Chumbo trocado

Segundo um auxiliar direto de Guedes, Marinho tenta fazer um "milagre da multiplicação" no Orçamento e continua querendo incentivar o presidente a desrespeitar o mecanismo do teto de gastos.

Membros da equipe econômica atribuem a Marinho parte da articulação que inflou as emendas parlamentares no Orçamento de 2021. A ação de incrementar o montante de emendas parlamentares foi vista como um aceno de Bolsonaro ao centrão — grupo informal de partidos que compõe a base do governo no Congresso em troca de mais verbas e espaço na administração pública — para ajudar sua tentativa de reeleição em 2022.

Isso porque as obras a serem tocadas com esse Orçamento serão as vitrines para os políticos em suas bases eleitorais nos estados. Bolsonaro sabe da importância do Orçamento para sua base e, inclusive, a reforma ministerial promovida na semana passada também foi no sentido de agradá-la. Isso se mostrou, especialmente, na designação da deputada Flávia Arruda (PL-DF) à Secretaria de Governo, pasta responsável pela articulação política entre Planalto e Congresso.

Aliados de Marinho, por sua vez, afirmam que o ministro estava de férias na semana de aprovação do Orçamento, e que Guedes "não consegue cumprir seus acordos e depois coloca a culpa nos outros".

Apesar das reclamações da equipe econômica, aliados de Bolsonaro afirmam que o Orçamento de 2021 foi elaborado com a ajuda de Paulo Guedes e líderes do governo no Congresso. Há quem ressalte que, por ainda ser um fiador importante para o mercado financeiro, Guedes posa de "bom moço", que quer defender a responsabilidade fiscal, enquanto o Congresso fica com a imagem de "mau", que quer abocanhar o Orçamento para si.

Briga não é de hoje

Em outubro do ano passado, Guedes chegou a verbalizar seu incômodo com Marinho e afirmou que o ministro era "despreparado, desleal e fura-teto".

Um pouco antes, já nas discussões sobre o Orçamento, houve impasse entre o uso de recursos de precatórios para financiar o Bolsa Família e recursos do Fundeb (fundo para financiar a educação básica). Na época, quando a alternativa foi ventilada, alguns auxiliares de Guedes afirmaram que a ideia veio de lideranças partidárias e contava com o apoio do líder do governo na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR).

Outros assessores disseram que foi uma sugestão vinda diretamente do ministro do Desenvolvimento Regional. Na ocasião, a assessoria de Rogério Marinho negou oficialmente a participação do ministro na discussão. Auxiliares dizem que os dois ministros tinham um excelente relacionamento enquanto Marinho era subordinado a Guedes. Mas a relação teria azedado após o ex-secretário virar ministro e acabar "traindo" a agenda reformista.

O sentimento de Guedes pelo colega de Esplanada virou "mágoa", com sinais cada vez maiores de irritação.

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