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Ex-presidente do Banco Central diz que economia só flui se a saúde melhorar

Ilan Goldfajn, ex-presidente do Banco Central  -
Ilan Goldfajn, ex-presidente do Banco Central

Colaboração para o UOL

09/04/2021 19h22

O ex-presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, disse, em entrevista a revista Época, que a economia do Brasil só irá melhorar quando a saúde parar de se deteriorar. Ilan acredita que a lentidão na vacinação está reduzindo as expectativas de crescimento do PIB e de estabilidade fiscal, além de impactar inflação e juros.

"O custo em termos econômicos é brutal, em termos de vidas também. Há previsões de óbitos que chegam a 500 mil. O ritmo lento da vacinação está reduzindo as expectativas de crescimento do PIB, de estabilidade fiscal, e tem impacto na inflação e nos juros", afirmou.

Sobre o presidente Jair Bolsonaro ser contra as medidas de distanciamento social, o executivo diz que há falta de bom senso por parte da liderança brasileira.

"Em momentos de crise grave, você precisa de uma liderança não só para coordenar, mas para não trabalhar contra. É complicado você pedir isolamento social, porque isso custa a renda das pessoas, mas a renda a gente pode repor, a vida não."

Goldfajn cita que o erro do Brasil foi não levar a pandemia a sério. "A gente tem falado em fazer reforma tributária, melhorar a educação, a gente insiste na abertura da economia para ter mais competição, tudo isso é válido. Mas, no momento, a gente precisa ser capaz de diminuir as incertezas, os conflitos. A solução era levar a pandemia a sério e fazer escolhas difíceis, proteger os vulneráveis, proteger os empregos, mas cortar (gastos) em outro lugar."

Ao finalizar, ele diz que a aceleração da vacinação não será como ele queria. "A gente está sempre prometendo um ritmo acelerado para o mês que vem, mas entregamos menos. Deveria prometer menos e entregar mais. Estamos muito longe de uma vacinação que possa interromper esta crise. O isolamento pode ajudar, mas ainda estamos longe."