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Mídia e Marketing

CEO do Plano Feminino: "Empresas sem diversidade estão fadadas ao fracasso"

Renato Pezzotti

Colaboração para o UOL, em São Paulo

13/05/2021 09h16

Diversidade é assistencialismo ou é estratégia de negócios? E qual o papel da diversidade na inovação das empresas? Para Viviane Duarte, CEO do Plano Feminino, executivos que não olham para o pilar de diversidade como inovação estão ultrapassados.

"Temos uma elite que costuma associar diversidade com assistencialismo, principalmente no mundo corporativo. Empresas que não têm diversidade estão fadadas ao fracasso", afirma a executiva, entrevistada do episódio #84 do podcast Mídia e Marketing, publicado nesta semana -veja acima o vídeo completo da entrevista.

O Plano Feminino, que nasceu em 2010, é uma consultoria especializada em estratégias de marketing com foco em gênero e diversidade. Atualmente, trabalhas com empresas como Unilever, Ambev, Hershey's e Raízen, entre outras.

"São poucos os executivos que entendem isso. O problema, muitas vezes, passa pela seleção. Num país com 54% da população negra, com 1% da população falando outra língua, a gente vê uma vaga de estágio exigindo dois idiomas. Vocês estão contratando onde? Na Suécia? Ser honesto neste momento é muito importante: se você realmente quer diversidade, precisa adequar o escopo, precisa ser uma empresa consciente e honesta", declara (a partir de 11:10).

Trabalhar de forma 'honesta' com diversidade

Ela ainda fala sobre a recente polêmica de um projeto de lei, na Assembleia de São Paulo, que pretendia proibir a presença de pessoas LGBTQIA+ em comerciais "voltados a crianças". Na época, mais de 300 pessoas e empresas assinaram um manifesto contra a aprovação da lei.

"É muito legal, mas a gente precisa caminhar de forma mais rápida e mais honesta em relação a diversidade. A gente precisa de empatia para a causa, de honestidade para os negócios, para além desse 'storytelling' que a gente é bom de contar na publicidade", afirma (a partir de 24:38).

"Dentro das empresas, de 80% a 90% de tudo que a gente fala no mercado sobre diversidade é 'histoirinha'. Estamos emocionando as pessoas sem efetivamente fazer nada. Isso é honesto? É honesto a gente continuar com isso? Muitas agências de publicidade não têm diversidade -e, quanto tem, são só vagas 'de entrada'", declara.

"As empresas têm perdido valor por causa de narrativas alienadas e elitistas para produtos destinados à classe C, por exemplo. O consumidor, hoje, consegue derrubar campanhas milionárias. Se tivesse diversidade nas áreas de criação e decisão, as empresas não passariam tanta vergonha", declara (a partir de 14:28).

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