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Sakamoto diz que lei da privatização da Eletrobras desagrada todo mundo

Privatização da Eletrobras deve acontecer no governo Bolsonaro - Pilar Olivares/Reuters
Privatização da Eletrobras deve acontecer no governo Bolsonaro Imagem: Pilar Olivares/Reuters

Colaboração para o UOL

13/07/2021 12h32

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sancionou hoje, com vetos, a MP (medida provisória) que abre caminho para a privatização da Eletrobras. Mas de acordo com Leonardo Sakamoto, colunista do UOL, essa lei desagradou pessoas contra e a favor da privatização.

"Não sou contrário fundamentalmente às privatizações. Mas essa privatização da Eletrobras conseguiu uma façanha: desagradou pessoas favoráveis e contrárias à privatização. Porque o governo teve que assinar a lei com vários 'jabutis', com propostas estapafúrdias, para compensar estados. Vai ter investimento para termoelétricas a gás. Críticos afirmam que o que se ganha com privatização vai se perder com investimentos que são ultrapassados", analisou Sakamoto.

Ele também apontou que o preço da energia vai aumentar. "O governo fala que não vai aumentar preço da energia, mas vai aumentar sim pelo que é colocado por muitos especialistas. Quem vai pagar esse pato é o consumidor industrial e residencial".

Joel Pinheiro, comentarista do UOL, concorda com Sakamoto e complementa que o governo Bolsonaro usou a lei para fazer jogo político com o Centrão.

"Era um momento de modernização. Tem que ir para energia solar e eólica. Mas o que a gente vê no projeto é um monte de 'jabutis' para agradar bancadas regionais. Isso é retrocesso. É transformar uma medida que podia ser modernizante em medida que vai intensificar o jogo de toma lá dá cá. E isso ilustra o movimento que a gente viu no governo Bolsonaro, que se elegeu com bandeira do liberalismo e ficou no papel. Tudo foi cooptado pelos interesses políticos que o governo precisa para continuar de pé, sendo que preço do passe do centrão vai subindo a cada má notícia que aparece para o governo lidar. A pauta da privatização foi entregue aos interesses fisiológicos, do qual o Bolsonaro sempre fez parte", concluiu Joel.

Bolsonaro aprovou a nova lei de privatização com 14 vetos. Parlamentares da oposição afirmaram que vão recorrer a Justiça para tentar barrar a venda de ações Eletrobras.