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Mães têm duas parcelas do auxílio bloqueadas sem explicação do governo

Filipe Andretta

Do UOL, em São Paulo

25/07/2021 04h00

Mulheres chefes de família e mães solo que pararam de receber o auxílio emergencial há mais de um mês continuam sem explicações por parte do governo. Elas estão agora com duas parcelas bloqueadas, ainda impossibilitadas de contestar a decisão.

Em 3 de julho, o UOL mostrou a situação de mulheres que tiveram uma parcela do auxílio bloqueada em 11 de junho. Elas afirmam que preenchem todos os requisitos para receber a ajuda do governo federal e que enfrentam dificuldades ainda maiores para pagar aluguel e comida desde que o benefício foi bloqueado.

Algumas mães se organizaram nas redes sociais para cobrar satisfações. Um perfil no Instagram tem mais de 3.700 seguidoras e muitas compartilham relatos semelhantes.

Passadas três semanas desde a primeira reportagem, nada foi resolvido e mais uma parcela foi bloqueada.

O Ministério da Cidadania afirmou que seria possível verificar a situação individual das mulheres com os dados completos delas (nome, CPF, data de nascimento e nome da mãe). O UOL encaminhou as informações de sete mulheres, mas não recebeu uma resposta concreta sobre o caso de nenhuma delas.

Segundo o Ministério da Cidadania, "os repasses para essas pessoas foram bloqueados para a verificação dos requisitos de elegibilidade, conforme previsto na legislação".

O ministério não explicou por que elas não conseguem contestar o bloqueio, não deu uma previsão de quando essas parcelas serão liberadas nem informou quantas mulheres foram afetadas.

Mulheres chefes de família são aquelas que sustentam sozinhas um lar com pelo menos um menor de idade (elas não precisam ser mães, desde que sejam a única responsável).

Pela lei, esse grupo é prioritário no auxílio emergencial e recebe parcelas de R$ 375 —maiores do que as demais famílias (R$ 250) e pessoas que moram sozinhas (R$ 150).

Sem possibilidade de contestação

O Ministério da Cidadania tinha aberto um prazo para beneficiários contestarem bloqueios e cancelamentos. Mas a função não estava disponível para as mulheres chefes de família ouvidas pela reportagem. O período de contestação terminou no sábado (24).

O site de consulta do auxílio informa que o prazo para contestar a parcela de junho já terminou. Em relação à parcela de julho, o sistema informa que os motivos do bloqueio não permitem contestação.

Caixa e Dataprev dizem que não são responsáveis

A Caixa, banco que faz os pagamentos, afirma que não tem relação com o problema, pois seu papel se limita a transferir o dinheiro para quem está autorizado.

A Dataprev, empresa pública que processa os dados dos beneficiários, afirmou que os bloqueios e cancelamentos de parcelas são responsabilidade do Ministério da Cidadania.

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