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Guedes diz que Febraban teria sugerido tom crítico ao governo em manifesto

Paulo Guedes participa do evento "Diálogos com a Indústria" realizado pela Coalizão Indústria - Washington Costa/Ministério da Economa
Paulo Guedes participa do evento "Diálogos com a Indústria" realizado pela Coalizão Indústria Imagem: Washington Costa/Ministério da Economa

Do UOL, em São Paulo*

30/08/2021 13h34Atualizada em 30/08/2021 16h16

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse hoje que recebeu a informação da escrita de um manifesto, articulado por entidades empresariais, com o objetivo de defender a democracia, mas que teria sido sugestão da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) alterar o tom do texto para fazer um ataque ao governo de Jair Bolsonaro (sem partido).

Questionado por jornalistas, Guedes declarou que a Febraban assinar o manifesto pela democracia não teria "nenhum problema", e que "todas as opiniões são respeitáveis", mas afirmou que isso não é o que a Federação teria falado.

"A informação que eu tenho é a seguinte: É que havia um manifesto de defesa da democracia, e que aí não haveria problema nenhum, e que alguém na Febraban teria mudado isso para em vez de ser uma defesa da democracia, ser o que seria um ataque ao governo. Aí a própria Fiesp teria dito 'então eu não vou fazer esse manifesto', e o manifesto parece que está até suspenso por causa disso, não estão chegando a um acordo", disse Guedes em transmissão da CNN Brasil.

O ministro disse que a Febraban está muito ativa na defesa dos interesses dos bancos na reforma tributária, o que ele classificou como "louvável" e declarou que não tem abordado o assunto em razão do seu empenho em resolver a questão dos precatórios.

"Acho que se ela [a Federação] defender a democracia também é muito bom, nós queremos a defesa da democracia, das reformas, tá tudo bom, tá tudo certo", afirmou Guedes.

Manifesto era pedido de serenidade, diz Febraban

Em nota, a Febraban negou que o manifesto seja uma crítica ao governo, mas um pedido de "serenidade". A Federação afirmou ainda que o texto foi articulado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e apresentado na última quinta-feira às entidades empresariais.

"O manifesto "A Praça é dos Três Poderes", articulado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e apresentado na última quinta-feira às entidades empresariais com prazo de resposta até 17 horas da sexta-feira, é fruto de elaboração conjunta de representantes de vários setores, inclusive o financeiro, ao longo da semana passada. Desde sua origem, a Febraban não participou da elaboração de texto que contivesse ataques ao governo ou oposição à atual política econômica. O conteúdo do manifesto pedia serenidade, harmonia e colaboração entre os Poderes da República e alertava para os efeitos do clima institucional nas expectativas dos agentes econômicos e no ritmo da atividade. A Febraban submeteu o texto a sua própria governança, que aprovou ter sua assinatura no material"

Conflitos e saídas

O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal pretendem sair da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) por discordar que a entidade — que é privada — se posicione politicamente. A decisão foi informada ao ministro da Economia, Paulo Guedes, e ao presidente Jair Bolsonaro.

A Febraban, representante do setor bancário no país, pretende emitir um manifesto amanhã com um pedido de harmonia entre os três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciários). As informações foram divulgadas por fontes ouvidas pelo Estadão.

Em desacordo com a federação, tanto a Caixa quanto o BB — controladas pelo governo federal — teriam encaminhado uma nota à Febraban informando que sairiam da entidade caso o manifesto seja publicado.

A iniciativa de emitir o manifesto foi votada na instituição e contou com o apoio da maioria, segundo o Estadão.

O assunto tem sido discutido há cerca de uma semana, mas a Caixa e o BB são contrários ao pedido de alinhamento do Legislativo, Executivo e Judiciário, em um momento no qual o presidente tem feito ataques públicos contra os demais poderes.

Sem citar Bolsonaro ou Guedes, o manifesto foi interpretado como uma crítica à gestão federal, uma vez que teria como pauta medidas urgentes para que o Brasil seja capaz de superar a pandemia e gere empregos.

A decisão de romper com a Febraban foi encabeçada pelo presidente da Caixa, Pedro Guimarães, quem mantém relação próxima com o presidente, de acordo com a apuração do Estadão.

Tanto a Caixa quanto o Banco do Brasil teriam contestado um trecho específico do manifesto, segundo o Estadão, que cita uma "grande preocupação" com a "escalada de tensões e hostilidades entre as autoridades públicas".

*Com informações da Reuters

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