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Aumento do IOF vai travar recuperação da economia, dizem bancos

A decisão foi assinada ontem pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) -
A decisão foi assinada ontem pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido)

Colaboração para o UOL

17/09/2021 15h44

Ecoando as preocupações de especialistas, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) criticou o aumento do IOF (Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro, ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários), decisão assinada ontem pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A entidade disse que o aumento do imposto dificultará a retomada da economia no Brasil.

O governo subiu o IOF até o final do ano para bancar a ampliação do Auxílio Brasil, programa que substituirá o Bolsa família. A previsão é arrecadar R$ 2,14 bilhões.

O IOF é cobrado em operações de crédito para pessoas empresas e pessoas, por exemplo, operações que já estão sendo mais caras devido à subida da taxa básica de juros, a Selic.

"Aumento de impostos sobre o crédito, mesmo que temporário, agrava o custo dos empréstimos, particularmente em um momento em que o Banco Central precisará subir ainda mais a taxa básica de juros para conter a alta da inflação", disse a Febraban, em nota.

Hoje, o secretário especial do Tesouro e Orçamento do Ministério da Economia, Bruno Funchal, afirmou que o Auxílio Brasil será de R$ 300.

Isso representa um aumento de R$ 111 em relação ao valor médio pago atualmente pelo Bolsa Família. Ele afirmou que o Auxílio Brasil vai entrar em vigor em novembro porque esse tipo de programa não pode ser implantado em ano eleitoral.

Para a Febraban, a subida do IOF causará desestímulo aos investimentos e sairá mais caro para as famílias que precisam de acesso a crédito. "Esse aumento do IOF é um fator que dificulta o processo de recuperação da economia", falou.

Para a entidade, o governo está procurando soluções ineficazes quando "só há um caminho: perseverarmos na aprovação da agenda de reformas estruturais em tramitação no Congresso".

Especialistas também criticam

Além da Febraban, o ex-presidente do BC (Banco Central) Ilan Goldfajn criticou o aumento do IOF. "Pense na quantidade de impostos [que temos] na carga tributária que todos nós pagamos, não é pouco. Precisamos, estruturalmente, arrumar a casa. Não adianta fazer várias despesas em ano eleitoral e depois faltar dinheiro para as coisas básicas", falou à Globonews.

Outra mensagem de repúdio à decisão veio da pesquisadora de finanças públicas do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (Fundação Getulio Vargas) Juliana Damasceno, que afirmou não ver sentido na subida do imposto.

"A arrecadação por IOF é rápida e em larga escala, mas gera aumento de custos para a economia inteira", explicou. "Isso vai na contramão do que a economia precisa para se recuperar. É uma nova queda de renda disponível, agora por aumento de taxação. A perspectiva de consumo para os próximos meses fica bastante desfavorável", disse.

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