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'Eu voltaria a assinar o AI-5', afirma Delfim Netto

Colaboração para o UOL

28/09/2021 11h27

O economista e ex-ministro da Fazenda Delfim Netto disse hoje que voltaria a assinar o AI-5 - decreto editado em 13 de dezembro de 1968, no governo do marechal Costa e Silva, marcou o período mais duro da ditadura militar no Brasil (1964-1985).

"Eu voltaria a assinar o AI-5. Eu tenho dito isso sempre. Aquilo era um processo revolucionário, vocês têm que ler jornais daquele momento. As pessoas não conhecem história, ficam julgando o passado, como se fosse o presente. Naquele instante foi correto, só que você não conhece o futuro", afirmou durante o UOL Entrevista, desta terça-feira (28).

No entanto, ele ressaltou que os que defendem um decreto como o AI-5 no momento atual "são uns idiotas". "Quando se assinou o AI-5, o que se imaginava era que o habeas corpus seria para proteger o cidadão, não para matá-lo", disse. "Hoje nós sabemos para onde queremos ir e aprendemos que só existe um mecanismo para administrar esse país e levá-lo ao progresso, que é o fortalecimento do processo democrático. Isso é um aprendizado", completou.

O AI-5 deixou um saldo de cassações, direitos políticos suspensos, demissões e aposentadorias forçadas. Considerado o mais radical decreto do regime militar, também abriu caminho para o recrudescimento da repressão, com militantes da esquerda armada mortos e desaparecidos.

Governo Bolsonaro

Para Netto, os mil dias do governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) são de "confusão e noite de Sherazade", pois "de dia é uma trapalhada e de noite mentindo".

"Tem sido uma tragédia, mil dias de confusão, de preconceito, ideias equivocadas. Infelizmente, estamos em pleno subdesenvolvimento acelerado", afirmou.

Segundo ele, o governo de Bolsonaro está derretendo. "Eles vão embora no próximo ano (Guedes e Bolsonaro). Bolsonaro não será reeleito", afirma. "Eu não tenho a menor dúvida da vitória de Lula no primeiro turno. O comportamento do governo Bolsonaro está se derretendo". O economista também afirmou que votará no ex-presidente Lula, em 2022. "O governo Lula foi um governo de muito boa qualidade ainda que tenha sido ajudado pelos aspectos externos, com o grande choque de commodities".

Netto relembrou convívio com Bolsonaro e disse que ele "tem disposição para guerra". "Sempre foi uma pessoa extremamente agressiva. Bolsonaro tem disposição para guerra. Ele é incapaz de uma acomodação", afirmou.

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