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Restos de peixe viram preservativo, espuma para travesseiro e biodiesel

Produção de tilápia: restos de peixe podem ser transformados em diversos produtos - PeixeBR
Produção de tilápia: restos de peixe podem ser transformados em diversos produtos Imagem: PeixeBR

Viviane Taguchi

Colaboração para o UOL, em São Paulo

07/12/2021 04h00

Resíduos orgânicos de peixes estão sendo reutilizados pela agroindústria para gerar produtos sustentáveis. São vários exemplos: biodiesel, componentes de ração para animais, poliuretano (para espumas, colchões, travesseiros, assentos de automóveis, isolantes térmicos e preservativos).

Cientistas da Universidade Memorial de NewFounfland, no Canadá, usaram os óleos das vísceras, a cabeça e os ossos dos peixes para produzir o poliretano. Mikhailey Wheeler e Francesca Kerton, as duas pesquisadoras, explicaram, durante encontro da Sociedade Norte-Americana de Química, que a produção convencional de poliuretanos requer petróleo bruto e fosgênio, um gás que é altamente tóxico. Além disso, o produto final não se decompõe e ainda pode liberar compostos cancerígenos.

"Já o material a partir do pescado tem vida útil e não vai agredir o meio ambiente", disse a pesquisadora.

Segundo elas, a ideia de trabalhar com o óleo de vísceras de pescados surgiu de uma busca por uma alternativa sustentável para o produto, que não concorresse com a produção agropecuária. No processo, segundo Wheeler, oxigênio é adicionado aos resíduos, que formam uma resina e, após reagir com o dióxido de carbono, as moléculas geradas são ligadas aminoácidos.

Segundo a Associação Brasileira de Reciclagem Animal (ABRA), o Brasil produz cerca de 200 mil toneladas de sobras de peixes por ano, que podem ser usadas como matéria-prima para as indústrias de reciclagem de pescado. Isso tudo, antigamente, ia para os aterros sanitários e lixões.

Reciclar sobras de animais está em alta

Em 1970, destacou o empresário Clênio Gonçalves, presidente do Grupo Patense, de Pato de Minas (MG), a preocupação em reciclar as sobras de animais era inexistente. "Quando fundamos a empresa, usávamos apenas restos de abates de boi", contou. "Até 2014, já havíamos incluído o uso de resíduos de frangos e suínos, iniciamos o uso do resto de peixe para fabricar outros produtos".

Gonçalves afirmou que isso foi possível porque houve um crescimento no consumo interno de peixes e das exportações de pescados, o que gerou um volume maior de sobras. Hoje, a empresa recicla até 1000 toneladas de pescados por dia.

"Ainda utilizados os resíduos de bovinos, frangos e suínos, mas a cadeia de pescados aumentou consideravelmente sua participação na indústria de reciclagem animal nos últimos anos", disse.

De acordo com ele, com o crescimento do setor no país, a empresa já planeja aumentar em 40% o seu volume de produção. "O setor de pescados está em ascensão no país".

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