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O que é e como atua o MLB, movimento que ocupou supermercados em 9 capitais

Protesto do MLB em uma loja do Extra em Belo Horizonte - Reprodução/Redes Sociais @mlb_mg
Protesto do MLB em uma loja do Extra em Belo Horizonte Imagem: Reprodução/Redes Sociais @mlb_mg

Giovanna Carneiro

Colaboração para o UOL, em Recife

17/12/2021 18h23

O MLB (Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas), organizador da ocupação de supermercados por famílias em nove estados, na quinta-feira (16), tinha o objetivo de chamar atenção para a situação de fome e miséria, agravada durante a pandemia, e arrecadar cestas básicas para pelo menos 6.000 famílias que compõem o MLB.

"Escutamos falar sobre o Natal e já imaginamos um momento de muita fartura. A mídia divulga imagens de ceias fartas, famílias felizes, mas essa não é a realidade de grande parte da população, que vai passar o Natal sem ter nem água para beber", afirmou ao UOL afirmou Poliana Souza, da coordenação nacional do movimento.

A ação batizada de "Natal Sem Fome" resultou na ocupação de 20 supermercados da rede Extra, em pelo menos nove estados, por centenas de famílias que estão em situação de rua e insegurança alimentar, segundo os organizadores. No Recife, a ação aconteceu no Extra no bairro da Madalena, zona oeste da cidade, com a presença de cerca de 200 pessoas.

Souza afirma que a ideia de ocupar a rede, pertencente ao GPA (Grupo Pão de Açúcar), é uma tentativa de conseguir doações de alimentos para famílias, já que o lucro da empresa aumentou no ano passado. Em 2020, o GPA lucrou R$ 1,092 bilhão, após registrar prejuízo de R$ 285 milhões em 2019. Neste ano, a empresa acumula ganhos de R$ 28 milhões até o terceiro trimestre.

De acordo com Souza, a empresa participou de uma reunião com representantes do MLB e ofereceu 400 cestas básicas para serem distribuídas no país todo.

"Não aceitamos essa oferta. Temos uma demanda de 6.000 famílias que estão passando fome, doar 400 cestas é muito pouco", disse. Segundo ela, o MLB e o GPA devem fazer novas reuniões.

O UOL procurou o GPA para questionar como foram as negociações e se houve oferta de doações. A resposta será incluída na reportagem assim que for enviada.

Movimento existe desde 1999

O MLB existe desde 1999 e atua em 16 estados e no Distrito Federal, segundo os coordenadores. Surgiu a partir de ações de reivindicação por moradia em Belo Horizonte e Jaboatão dos Guararapes, na região metropolitana do Recife. Na época, criou na capital mineira a ocupação Vila Corumbiara, que ainda existe.

Kleber Santos, representante do MLB em Pernambuco, diz que " a especulação imobiliária financia a campanha de muitos políticos que estão no poder, e o povo que quer uma moradia digna luta para fazer valer a Constituição. Muitos acham que criminosos somos nós, mas na verdade são aqueles que protegem a especulação imobiliária".

Os organizadores afirmam que participam do movimento aproximadamente 65 mil famílias e que a procura aumentou nos últimos anos, com a crise, o aumento do desemprego e da fome e a falta de moradia.

"A grande maioria são mães solo negras e pessoas negras e periféricas no geral, que não têm acesso a emprego", disse Souza.

"A luta pelo direito à cidade sempre existiu. Agora existe uma concentração maior de pessoas nos centros urbanos, e a falta de política habitacional, principalmente nesse atual governo, faz com que mais pessoas vejam as ocupações dos movimentos sociais como uma saída para garantir a moradia", afirmou.

Pré-candidato à Presidência da República

O MLB se articulou para entrar também na política. Parte dos integrantes, junto com outras instituições, se uniram para formar o Unidade Popular (UP), partido registrado oficialmente em 2019.

Em 2021, o UP apresentou como pré-candidato à Presidência da República o ativista Léo Péricles, integrante do MLB.

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Errata: o texto foi atualizado
Uma versão anterior deste texto informava incorretamente que Léo Péricles lançou sua pré-candidatura à Presidência da República em 2020. Na verdade, o lançamento foi em 2021. A informação foi corrigida.