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Junqueira, Vélez e Wible: quem são os bilionários fundadores do Nubank

Da esq. para a dir., David Vélez, Edward Wible e Cristina Junqueira, fundadores do Nubank - Divulgação
Da esq. para a dir., David Vélez, Edward Wible e Cristina Junqueira, fundadores do Nubank Imagem: Divulgação

Vinícius de Oliveira

Colaboração para o UOL, em São Paulo

21/12/2021 16h04

A estreia do Nubank na Bolsa de Valores de Nova York, no início de dezembro, engordou a fortuna dos fundadores do banco, David Vélez, Cristina Junqueira e Edward Wible.

A oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) das ações foi considerada um sucesso e tornou o Nubank o banco digital mais valioso da América Latina, com valor de mercado de US$ 46,09 bilhões (R$ 262,25 bilhões). Os papéis da fintech, inicialmente negociados por US$ 9 (R$ 51,70), chegaram a bater US$ 11,85 (R$ 68,07). Ontem, fecharam a US$ 8,94 (R$ 51,35).

De acordo com a estimativa mais recente da Bloomberg, David Velez está entre os 250 homens mais ricos do mundo. O colombiano tem uma fortuna de US$ 9,72 bilhões (R$ 55,84 bilhões), sendo o homem mais rico do seu país.

A brasileira Cristina Junqueira tem uma fortuna estimada em até US$ 1,2 bilhão (R$ 6,89 bilhões), sendo agora a segunda mulher brasileira bilionária que não é herdeira. A primeira, segundo a Forbes, é Luiza Trajano, que foi responsável pela expansão e consolidação da Magazine Luiza como gigante do varejo.

Por sua vez, o norte-americano Edward Wible, segundo o prospecto do IPO, tem pelo menos 1,98% do capital social da empresa, equivalente a US$ 912 milhões (R$ 5,24 bilhões).

Entre os mais ricos do Brasil e da Colômbia

Junqueira agora deve figurar na lista de pessoas mais ricas do Brasil. A título de comparação tendo como base o ranking divulgado pela Forbes em julho de 2021, ela estaria no 61º lugar. Mas não é possível cravar que seria essa a posição hoje porque a fortuna de outros integrantes da lista pode ter crescido ou encolhido.

De acordo com o ranking, os cinco mais ricos do Brasil são Eduardo Saverin, cofundador do Facebook, com US$ 19,3 bilhões (R$ 110,9 bilhões); Jorge Paulo Lemann, da AB InBev, com US$ 19,1 bilhões (R$ 109,7 bilhões); Jorge Moll Filho, da Rede D'or, com US$ 13,1 bilhões (R$ 75,3 bilhões); e Marcel Hermann Telles e Carlos Alberto Sicupira, ambos da AB Inbev, com US$ 12,7 bilhões (R$ 73 bilhões) e US$ 9,8 bilhões (R$ 56,2 bilhões).

Vélez já figurava na lista de pessoas mais ricas da Colômbia, em segundo lugar. Por ter aumentado sua fortuna de US$ 5,2 bilhões (R$ 29,9 bilhões) para US$ 9,72 bilhões neste ano, ele deve ultrapassar o empresário e banqueiro Luis Carlos Sarmiento, que acumula US$ 8,10 bilhões (R$ 46,5 bilhões) segundo a Bloomberg.

O americano Wible não figuraria na lista dos Estados Unidos, pois não atingiu ainda a marca de US$ 1 bilhão (R$ 5,68 bilhões), considerando o valor da sua fortuna em dólar.

Engenheiro, Vélez recrutou Junqueira

Vélez nasceu na Colômbia, em 1981, em uma família de pequenos empresários. Ele se mudou para Costa Rica aos nove anos, depois de um tio sofrer um sequestro em Medelín.

Formou-se em engenharia na Universidade Stanford, nos Estados Unidos, e foi trabalhar na área de investimentos do banco Morgan Stanley. Depois, trabalhou na empresa de private equity General Atlantic. Em 2010, voltou para Stanford para fazer um MBA em negócios.

No Brasil, tornou-se sócio do fundo de investimentos Sequoia Capital. Ele afirma que, nessa época, em 2012, quando precisou abrir uma conta em um banco, a burocracia na agência, a porta giratória e o atendimento ruim o motivaram a buscar uma solução.

Vélez então passou meses estudando bancos digitais em ascensão e começou a traçar o roteiro para o Nubank, que começaria oferecendo cartões de crédito e depois incluiria outros serviços. Levantou US$ 1 milhão (R$ 5,74 milhões) com seu mentor, Douglas Leone, chefe da Sequoia, e mais US$ 1 milhão com a firma de capital de risco argentina Kaszek.

Como na época a lei brasileira não permitia que estrangeiros fossem donos de bancos, Vélez recrutou Cristina Junqueira para ser cofundadora do Nubank.

O colombiano conheceu sua futura mulher, Mariel Reyes Milk, uma empreendedora peruana, em 2013, durante um encontro de empresários internacionais em um bar paulistano. Atualmente, são pais de três filhos pequenos, que têm cidadania brasileira.

O casal aderiu à iniciativa global Giving Pledge, criada por Bill Gates, Melinda Gates e Warren Buffet. Com isso, eles se comprometeram a doar suas fortunas ainda em vida à caridade.

Apesar de ter cidadania colombiana e costarriquenha, Vélez afirma que não tem "nação nem raízes". Em entrevista para uma revista em 2019, disse que ele e a esposa já moraram em muitos lugares e são "considerados gringos em todos eles".

Junqueira trabalhou no Itaú Unibanco

Junqueira tem graduação e mestrado em engenharia de produção pela USP (Universidade de São Paulo), além de um MBA pela Northwestern University, dos Estados Unidos.

Ela trabalhou durante anos no Itaú Unibanco. Em entrevistas posteriores à sua saída do banco, disse ter ficado cansada de tentar vender cartões de crédito a quem não queria. Essa teria sido sua motivação para abrir a fintech.

Junqueira foi a primeira mulher a aparecer visivelmente grávida na capa de uma revista brasileira de negócios. Em 2020, posou para a edição das "Mulheres mais poderosas do Brasil" da revista Forbes, esperando a segunda filha.

No mesmo ano, seu nome esteve envolvido em polêmica após participação no programa "Roda Vida", da TV Cultura. Questionada sobre medidas para inclusão de lideranças negras no banco, Junqueira disse que não dava para o Nubank "nivelar por baixo".

Após a reação negativa das redes sociais, os fundadores da fintech apresentaram um pedido de desculpas e se comprometeram a aumentar a representação de negros em cargos-chave.

Wible tentou startup de transporte antes

Edward Wible foi o primeiro CTO (diretor de tecnologia) do Nubank. Em abril deste ano, foi substituído por Matt Swan, que trabalhou em empresas como Amazon e Booking.Wible é formado em ciência da computação pela Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, e tem um MBA pelo Insead, na França.

Começou sua carreira em consultoria no Boston Consulting Group (BCG), assim como Junqueira, e na empresa de private equity Francisco Partners. Mudou-se para Buenos Aires, na Argentina, para encontrar investidores e montar uma startup de transportes. O projeto não deu certo, mas dois anos depois foi recrutado por Vélez para trabalhar na área de tecnologia do Nubank.

Sem ter onde ficar no início da empresa, Wible morou no andar de cima da casa alugada pelo trio, na rua Califórnia, no bairro do Brooklin, em São Paulo, onde eles começaram a implantação do banco digital.

Atualmente, ele lidera os times de construção de novos sistemas e infraestrutura, responsáveis por desenvolver tecnologias como o NuSócios, um programa de educação financeira que quer incluir milhões de potenciais investidores brasileiros na Bolsa de Valores no próximo ano. Para isso, o Nubank deu um BDR (que equivale a um sexto de uma ação do banco) para 7,5 milhões de clientes. Enquanto os papeis da empresa são negociados na Bolsa de Nova York, os BDRs equivalem a ações da empresa, mas negociadas na Bolsa brasileira.

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Errata: o texto foi atualizado
Uma versão anterior deste texto informava incorretamente o valor da fortuna de Carlos Alberto Sicupira, da AB Inbev, em reais. A conversão correta é R$ 56,2 bilhões, e não R$ 6,3 bilhões. A informação foi corrigida.