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Quem é Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank que ficou bilionária

8.dez.2021 - Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank, discursa na cerimônia de IPO do banco - Reprodução
8.dez.2021 - Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank, discursa na cerimônia de IPO do banco Imagem: Reprodução

Vinícius de Oliveira

Colaboração para UOL, em São Paulo

09/12/2021 17h17

A brasileira Cristina Junqueira, 37, se juntou ao colombiano David Vélez e ao norte-americano Edward Wible em 2013 para fundar o Nubank. Agora, oito anos depois, o banco se tornou, na quarta-feira (8), o mais valioso da América Latina, com valor de mercado de US$ 41,5 bilhões (R$ 231,3 bilhões), após a empresa realizar seu IPO (oferta pública de ações), ou seja, lançar ações, na Bolsa dos Estados Unidos.

Com o IPO, a CEO do Nubank no Brasil entrou para o seleto grupo de mulheres bilionárias e que não são herdeiras, ou seja, que fizeram a própria fortuna. Segundo estimativas da Bloomberg, a participação de Junqueira no banco digital é avaliada em até US$ 1,1 bilhão (R$ 6,131 bilhões).

A abertura de capital foi a maior em termos de participação de investidores de varejo do mercado brasileiro. Ao todo, segundo o banco, 815 mil pessoas investiram em seus BDRs (Brazilian Depositary Receipts), equivalentes a ações aqui na Bolsa brasileira.

Junqueira participou da cerimônia de abertura do capital em Nova York, ao lado dos outros fundadores, grávida da terceira filha e na presença das outras duas, Alice e Bella.

Engenheira de Ribeirão Preto

De Ribeirão Preto, cidade do interior de São Paulo forte no agronegócio, Junqueira mudou-se ainda jovem com os pais para o Rio de Janeiro. Cursou engenharia de produção na USP (Universidade de São Paulo), na capital paulista, e começou a trabalhar como analista de sistemas do então Unibanco ainda na graduação. Depois, cursou mestrado também em engenharia de produção.

Em 2006, tornou-se consultora interna na Booz Allen Hamilton, empresa norte-americana de consultoria e gestão, e no Boston Consulting Group, onde ficou até 2007. Depois, mudou-se para os EUA para estudar finanças e marketing na Northwestern University, no estado de Illinois.

Junqueira voltou a trabalhar em banco ao retornar ao Brasil, em 2008, quando foi superintendente de negócios no Itaú Unibanco, na área de seguros para pequenas e médias empresas. Um ano depois, se tornou chefe de produtos da LuizaCred, departamento de cartões de crédito da Magazine Luiza.

Ainda voltou ao Itaú Unibanco em 2012, para trabalhar na área de cartões de crédito. Ela diz que propôs novas ideias para o segmento, mas não houve apoio interno.

Em entrevistas, disse ter ficado cansada de tentar vender cartão de crédito para quem não queria. Na visão dela, os bancos tradicionais cobravam taxas altas e ofereciam um serviço ruim.

Fundou o Nubank por isso, afirma. O banco nasceu sem taxa de anuidade, conseguindo captar grande quantidade de clientes.

Grávida na capa da 'Forbes'

Junqueira posou para a capa grávida da segunda filha  - Reprodução / Instagram - Reprodução / Instagram
Junqueira posou para a capa grávida da segunda filha
Imagem: Reprodução / Instagram

Junqueira no ano passado a capa da edição "Mulheres mais poderosas do Brasil" da revista Forbes. Na ocasião, posou grávida de sua segunda filha. A primeira filha nasceu na época do lançamento do Nubank no Brasil, há cinco anos.

"Eu não tinha funcionários trabalhando comigo, somente desenvolvedores. Por causa disso, precisei pular a licença-maternidade e retornei ao trabalho logo depois do parto", disse em entrevista ao UOL no ano passado. "Na época, não tive escolha. Não posso dizer que me arrependo, nem que foi uma bobagem. Foi algo necessário. O empreendedorismo envolve sacrifícios: são escolhas difíceis, não existe milagre. Mas tenho consciência de que a minha situação passou longe do ideal. Nenhuma mulher deveria passar por isso."

Polêmica em entrevista no Roda Viva

Junqueira foi criticada por sua participação no programa Roda Viva, no ano passado. Questionada sobre medidas para inclusão de lideranças negras no banco, ela disse que "dá pra gente [o Nubank] nivelar por baixo".

"Não adianta colocar alguém pra dentro que depois não vai ter condições de trabalhar com as equipes que a gente tem. Depois, não vai ser bem avaliado. A gente não está resolvendo um problema, está criando outro, né?" afirmou na época.

Como resposta à reação negativa nas redes sociais, os fundadores da instituição apresentaram um pedido de desculpas, se comprometendo a aumentar a representação dos negros em seus cargos-chave. Em março deste ano, o banco lançou um programa de recrutamento exclusivo para pessoas negras.