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'Vaca magra' é instalada em frente à Bolsa de SP e retirada horas depois

Colaboração para o UOL

09/12/2021 11h04Atualizada em 09/12/2021 18h04

A escultura de uma "vaca magra" foi instalada hoje pela manhã em frente ao prédio da B3, sede da Bolsa de Valores de São Paulo. A obra da artista plástica Márcia Pinheiro faz parte de uma intervenção social e foi colocada no mesmo lugar em que estava o "Touro de Ouro"retirado pela B3 no mês passado, por não ter sido liberado pela prefeitura da capital paulista.

Horas depois, a "vaca magra" foi removida pelo produtor Rafael Rasmoke, que havia colocado a peça no local. Em seu Instagram, ele disse que retirou a obra para que ela não fosse levada por agentes da prefeitura.

"Infelizmente a ação foi interrompida pelo 'rapa'. Tive que retirar a obra da minha amiga Márcia do local do protesto", disse Rafael, em um vídeo publicado em seu Instagram. "Mas a realidade é essa", completou, ao filmar um homem em situação de rua que passava.

Procurado pelo UOL, a Prefeitura de São Paulo e a B3 não haviam informado, até a última atualização desta reportagem, se a instalação da "vaca magra" foi autorizada. O "Touro de Ouro" foi considerado irregular pela CPPU (Comissão de Proteção à Paisagem Urbana) da Secretaria Municipal de Urbanismo da capital paulista.

A ação, que chama atenção para a fome e à seca provocada pelas mudanças climáticas, tem sido realizada em várias cidades do país, informa a artista plástica.

"São 10 esculturas idênticas com possibilidades de exposições em áreas externas e internas. As esculturas têm tamanhos aproximados ao tamanho real do animal de referência e grande durabilidade, devido ao material de construção: resina e fibra de vidro", explica ela, em seu Instagram.

A pesquisa e o processo criativo para o surgimento de Vacas Magras durou três anos, iniciando a exposição das obras em 2014, em lugares como Aeroporto Internacional Pinto Martins, Praça José de Alencar, Mercado Central, entre outros, diz Márcia Pinheiro.

As vacas ficaram em cartaz durante todo o ano de 2016. "É uma experiência muito gratificante, pois vejo o retorno das pessoas e o interesse pelas vacas, o que consequentemente os leva a refletir sobre a seca, que é a temática principal do trabalho", disse.

No fim de novembro, a CPDU considerou o "Touro de Ouro" como publicidade irregular, sem licença urbanística e passível de multa a ser definida pela Subprefeitura da Sé.

B3: alvo de protestos

Touro de ouro com cartaz Fome - Reprodução/Twitter - Reprodução/Twitter
Cartaz com a palavra "fome" foi colado em Touro de Ouro como protesto
Imagem: Reprodução/Twitter

Em ato realizado no mês passado, um grupo de manifestantes colou cartazes com a palavra "fome" na escultura do Touro de Ouro.

O protesto foi organizado pelos grupos Juventude Fogo no Pavio e Movimento Raiz da Liberdade. "O que para eles simboliza a força do mercado financeiro, para nós é um símbolo da fome, da miséria e da superexploração do trabalho. Mas, também é um lembrete de que continuaremos na luta por uma vida com dignidade. E é por isso que hoje fizemos essa ação simbólica de protesto", afirmaram os grupos em nota conjunta.

Sobre o ocorrido, a B3 afirmou ao UOL que a escultura é uma homenagem à força e à coragem do brasileiro, além de ser um presente para a cidade de São Paulo, visando à revitalização do centro histórico da cidade.

Símbolo presente em centros financeiros de diversas cidades no mundo, como Nova York e Frankfurt, a peça metálica de São Paulo é obra do artista plástico brasileiro Rafael Brancatelli e do economista, apresentador e influenciador digital Pablo Spyer. O projeto foi idealizado pela bolsa B3 em parceria com a corretora XP.

Apesar da euforia dos idealizadores durante a inauguração, a escultura foi recebida nas redes com pouco entusiasmo: "cafonice", "brega", "viralatismo", disseram internautas, que apelidaram a obra de "Vaca Louca do Anhangabaú" e "Touro da Cracolândia".

Em setembro, o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) havia ocupado o saguão da Bolsa em um protesto contra a fome, o desemprego e a inflação. Na ocasião, havia faixas e cartazes como "sua ação financia nossa miséria", "Brasil tem 42 novos bilionários enquanto 19 milhões passam fome", "tem gente ficando rica com a nossa fome".

Ocupamos a bolsa de valores de São Paulo, maior símbolo da especulação e da desigualdade social. Enquanto as empresas lucram, o povo passa fome e o trabalho é cada vez mais precário. Quem segura o Bolsonaro lá são os donos do Mercado! #TáTudoCaro #ACulpaÉdoBolsonaro pic.twitter.com/eteezux8vb

-- MTST (@mtst) September 23, 2021
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