PUBLICIDADE
IPCA
1,16 Set.2021
Topo

MTST ocupa a Bolsa de Valores de SP em protesto contra fome e inflação

Do UOL, em São Paulo

23/09/2021 14h36Atualizada em 23/09/2021 21h45

Ativistas do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) ocuparam no início desta tarde a B3, sede da Bolsa de Valores brasileira, no centro São Paulo, em protesto contra a fome, a inflação e o desemprego.

Como as negociações na Bolsa são feitas eletronicamente, os protestos não afetaram os negócios. Por volta das 15h15, o Ibovespa operava em alta, de 1,58%.

Segundo o movimento, o local foi escolhido por simbolizar a "especulação" e a "desigualdade social".

"Ocupamos a Bolsa de Valores de São Paulo, maior símbolo da especulação e da desigualdade social. Enquanto as empresas lucram, o povo passa fome e o trabalho é cada vez mais precário. Quem segura o Bolsonaro lá são os donos do mercado!", publicou o perfil da organização no Twitter.

"Os lucros recordes dos bancos, o aumento de grandes fortunas e o surgimento de 42 novos bilionários no mesmo país onde a insegurança alimentar atinge mais de 116 milhões de pessoas e a fome já é uma realidade para mais de 19 milhões precisa acabar", continuaram.

Em uma série de tweets, o MTST disse que a Bolsa mostra a existências de dois Brasis, "um Brasil em que a bolsa está cheia de valores e um Brasil em que a bolsa da maioria da população está vazia".

Em nota, o movimento disse que essa manifestação dá início a uma campanha que irá realizar ações nos próximos meses em todo o país.

O coordenador do MTST e pré-candidato ao governo paulista, Guilherme Boulos (PSOL), publicou nas redes sociais sobre o protesto. "A voz do povo pela primeira vez na Bovespa!", escreveu.

Ao UOL, a assessoria da B3 disse que os manifestantes não acessaram o local onde acontecem as operações e que o protesto é pacífico.

Em SP, cesta básica quase empata com salário mínimo

Um levantamento mensal feito pelo Procon-SP em parceria com o Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos) divulgado no fim da última semana mostrou que o preço médio da cesta básica em agosto teve alta de 1,15%.

O preço médio do conjunto de alimentos básicos na capital era de R$ 1.077,01 naquele mês, pouco menos que o salário mínimo, de R$ 1.100.

Em relação ao mesmo mês no ano passado, o aumento é de 21,18%. Em agosto de 2020 o valor da cesta era de R$ 888,79, ou seja, está R$ 188,22 mais cara em 2021. Os itens que mais aumentaram foram o quilo da batata, com variação de 27,30%, o limpador multiuso de 500 ml (11,29%), o frango resfriado inteiro, cujo quilo subiu 9,98%, o biscoito maisena de 200g (9,84%) e o biscoito água e sal de 200g (7,73%).

Taxa básica de juros é a maior em 2 anos para conter inflação

Ontem, o Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central decidiu, por unanimidade, subir a taxa básica de juros da economia (Selic) em um ponto percentual, de 5,25% para 6,25% ao ano — o maior patamar desde julho de 2019, quando a Selic estava em 6,5% ao ano.

Na decisão, o BC considerou a necessidade de segurar a alta de preços. O IPCA, a inflação oficial no país, acumula 9,68% em 12 meses, até agosto. Está muito acima da meta do BC, de 3,75%, com uma tolerância de 1,5 ponto percentual para cima e para baixo — ou seja, podendo variar entre 2,25% e 5,25%.

PUBLICIDADE