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Guedes diz que Caixa Tem é avaliado em R$ 100 bi e poderia ser privatizado

19.jan.2022 - O ministro da Economia, Paulo Guedes, após reunião com o governador do Rio, Cláudio Castro - Cláudio Reis/Enquadrar/Estadão Conteúdo
19.jan.2022 - O ministro da Economia, Paulo Guedes, após reunião com o governador do Rio, Cláudio Castro Imagem: Cláudio Reis/Enquadrar/Estadão Conteúdo

Do UOL, em São Paulo

09/02/2022 08h52Atualizada em 09/02/2022 10h16

O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse ontem que o governo criou um banco digital, o Caixa Tem, da Caixa Econômica Federal, avaliado em R$ 100 bilhões no mercado durante a pandemia da covid-19. O Caixa Tem foi criado pela Caixa para o pagamento de programas sociais governamentais, como o Auxílio Emergencial.

"Eu queria mencionar que a própria plataforma digital está tendo desdobramentos internos, por exemplo, alguns organismos nossos, como a Caixa Econômica Federal hoje tem um banco digital lá dentro que vale pelo menos R$ 100 bilhões", afirmou o ministro em um evento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

Segundo o ministro, o governo conseguiu digitalizar cerca de 100 milhões de brasileiros, sendo 68 milhões para receberem benefícios sociais já disponíveis no banco digital e os demais para "poderem se beneficiar de novos programas".

Sem dar mais detalhes, Guedes afirmou que futuramente o Caixa Tem poderia ser privatizado e os recursos obtidos com a desestatização poderiam ser repassados aos brasileiros mais vulneráveis através de um programa de transferência de renda visando a redução da desigualdade social.

"[O Caixa Tem] é um banco valiosíssimo, por isso, vale em torno de R$ 100 bilhões por estimativa de mercado. Amanhã, em um grande programa de transferência de renda e riqueza para os brasileiros mais frágeis, nós podemos privatizar e distribuir esses recursos."

Exaltando os recursos brasileiros, o ministro do governo de Jair Bolsonaro (PL) disse que transformar recursos públicos em transferência de renda é uma "oportunidade de redução de desigualdade social" no país.

"O Brasil tem muitos recursos que, com essa dimensão digital, nós vamos começar a administrar muito melhor e realmente transformar esses recursos públicos em transferência de renda, oportunidade de redução de desigualdade social. Temos uma visão de futuro bastante otimista a respeito do país. Não nos abatemos. Nós surpreendemos o mundo com a resiliência e o vigor da nossa democracia. Os diversos poderes colaborando entre si e dando uma resposta surpreendente para o mundo", ressaltou.

Falta de apoio à agenda liberal

O ministro da Economia, Paulo Guedes, culpou o "fogo amigo" e a falta de apoio ao governo Bolsonaro no Congresso para a agenda liberal estar travada.

Em entrevista ao jornal "O Estado de São Paulo", o chefe da pasta reconheceu que as reformas prometidas "não estão andando na velocidade em que gostaríamos", mas também atribuiu o ritmo lento ao "establishment" da política. "Não tive o apoio que tinha de ter. Realmente, esperava mais apoio para essa agenda", afirmou Guedes.

As reformas liberais estiveram entre as principais propostas de campanha de Bolsonaro, que prometia uma série de privatizações para combater a corrupção no país. Para Guedes, no entanto, o desempenho abaixo do desejado das reformas se deve a uma aliança entre conservadores e liberais que não vingou.

"Nós entramos com uma plataforma que é o resultado de uma aliança de conservadores e liberais, que funcionou politicamente para a eleição, mas a engrenagem não girou. Essa aliança não conseguiu nem implementar as propostas dos conservadores, porque os liberais têm valores um pouco diferentes, nem as reformas liberais, porque às vezes tem fogo amigo dos conservadores. O establishment é muito forte", afirma.

Mesmo reconhecendo a frustração, o chefe da Economia diz que a percepção de falta de avanço é "razoável, mas em parte é completamente injusta", levando em conta que o governo passou a enfrentar a pandemia da covid-19 no segundo ano de mandato de Bolsonaro e, segundo ele, por haver uma politização radicalizada.