PUBLICIDADE
IPCA
1,06 Abr.2022
Topo

Celular é furtado e ladrões movimentam R$ 143 mil mesmo após aviso a bancos

Após furto de celular, Bruno De Paula viu inúmeros débitos não identificados em suas contas bancárias - Instagram/@mrvandep
Após furto de celular, Bruno De Paula viu inúmeros débitos não identificados em suas contas bancárias Imagem: Instagram/@mrvandep

Marcela Lemos

Colaboração para o UOL, no Rio

07/05/2022 15h48Atualizada em 07/05/2022 19h03

O agente de talentos Bruno De Paula, 36, relatou em suas redes sociais o furto que sofreu de um celular e a devassa ocorrida em suas contas bancárias, mesmo após ter comunicado aos bancos sobre o crime, ter bloqueado o número na operadora e o IMEI (um código de identificação do celular). Segundo De Paula, os criminosos conseguiram movimentar, ao todo, R$ 143 mil reais. Uma semana após o ocorrido, os bancos disseram que os valores serão ressarcidos.

De Paula conta que depois de fazer a viagem dos sonhos e passar 20 dias em Barcelona, sua vida se tornou um pesadelo — como ele mesmo define.

Durante o trajeto entre o Aeroporto de Guarulhos e a casa onde mora, em São Paulo, em 29 de abril, Bruno de Paula teve o celular furtado quando estava em um táxi em meio ao trânsito. O aparelho foi levado da sua mão porque a janela do veículo estava aberta. Como estava mexendo no celular, ele estava desbloqueado. O que era para ser o prejuízo de um objeto se tornou uma grande dor de cabeça.

Débitos de até R$ 27 mil nas primeiras horas

De Paula conta que imediatamente após o furto teve um prejuízo de R$ 27 mil na sua conta Nubank. O criminoso gerou quatro boletos de pagamento através do Mercado Pago e do PagSeguro nos valores de R$ 9 mil, R$ 8 mil, R$ 5 mil e R$ 4.999.

O correntista nem imagina como o criminoso teve acesso à conta, já que o aplicativo funciona com reconhecimento facial. Em posse do e-mail e do celular da vítima, foi possível a realização do desfalque.

"Eu cheguei em casa, peguei um celular antigo e vi que roubaram R$ 27 mil de uma das contas. Fiquei desesperado. Pedi para a Claro [operadora de telefone] o bloqueio da linha, falei com o Nubank que nada fez, e comuniquei o problema ao Banco do Brasil. No BB não tinham mexido ainda, mas no dia seguinte, quando eu acordei, vi várias notificações do banco sobre outras movimentações. Fiquei em choque", contou o agente de talentos em entrevista ao UOL.

Empréstimos, transferências e PIX: prejuízo de R$ 116 mil

Para surpresa de Bruno, mesmo após ter comunicado o furto, o Banco do Brasil chegou a permitir a realização de dois empréstimos, duas transferências, uma delas agendada, e mais um PIX.


Para piorar, era sábado. Com as agências bancárias fechadas, Bruno dependia apenas do contato telefônico com a instituição bancária.

"Como permitem empréstimo depois da comunicação do roubo? No Banco do Brasil, a atendente chegou a sugerir que eu acessasse o APP e errasse a minha senha três vezes. Quando perguntei se isso bloquearia a conta, ela não soube me responder", lembrou o correntista indignado.

Compras de Whisky: mais R$ 2,3 mil

Depois de um sábado estressante e dedicado a refazer os contatos com os bancos e com a Claro, Bruno ainda foi surpreendido com pedidos de whisky em um aplicativo de entrega. Apesar de ter bloqueado todos os cartões, o agente de talentos havia esquecido que tinha o cartão de crédito do pai registrado no APP. Foram pedidas sete garrafas de R$ 329 cada uma.

Além disso, o criminoso ainda enviou mensagem de "bom dia" para a namorada dele pelo WhatsApp.

"Foram dias sendo atacado e zombado", lamentou.

Uma semana depois, a resposta dos bancos

Segundo ele, o problema com os bancos foi resolvido uma semana depois do furto, após uma publicação nas redes sociais do agente de talentos viralizar. No Twitter, ele contou detalhes dos transtornos vividos e avaliou que as instituições bancárias foram negligentes. Na última sexta-feira (6), ele foi informado que teria todos os valores ressarcidos.

"O processo é todo muito falho. Via em tempo real que estava sendo roubado e tinha que apertar uma série de números no telefone até conseguir falar com um atendente do banco. Não há um número de emergência para fraudes e mesmo comunicando deixaram acontecer tudo isso".

O que dizem os envolvidos

Procurado, o Nubank informou através de nota que "lamenta o ocorrido e informa que o caso já foi solucionado com o cliente".

Já o Banco do Brasil informou que acionou procedimentos de segurança logo após tomar conhecimento da ocorrência, com rápida recuperação de valores.

"O BB adota medidas de prevenção a fraudes e orienta seus clientes a nunca anotar senhas em aplicativos do celular — tais como bloco de notas ou aplicativos de mensagens —, sempre informar tempestivamente à instituição financeira movimentações suspeitas em sua conta. A comunicação rápida possibilita que as providências devidas possam ser efetuadas o mais breve possível".

"No caso do BB, o cliente deve recorrer à Central de Relacionamento, agências ou ao SAC para denunciar que foi vítima de golpe ou fraude", informou a instituição bancária através de nota.

O PagBank PagSeguro informou que "segue padrões rígidos de segurança, um dos principais pilares da companhia" e que "no caso específico, tão logo teve informações, o PagBank PagSeguro bloqueou saldo para restituir à vítima".

Já a Claro informou que o "bloqueio [da linha telefônica] foi executado assim que o cliente entrou em contato" e reforçou que "a gestão de aplicativos de mensagens, redes sociais e de bancos é feita pelas próprias empresas responsáveis". Apesar de informar que o telefone foi bloqueado, a Claro não explicou como o aparelho ficou ativo após a comunicação do furto, como declara De Paula. O UOL pediu mais informações e aguarda novo posicionamento da empresa.