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Como funcionam os apps de corrida e entrega em que dá para negociar valor

AppJusto: aplicativo para entregadores pretende ser alternativa às taxas cobradas por outros serviços - Divulgação
AppJusto: aplicativo para entregadores pretende ser alternativa às taxas cobradas por outros serviços Imagem: Divulgação

Felipe de Souza

Colaboração para o UOL, em Campinas (SP)

20/05/2022 04h00

Aplicativos alternativos ao Uber e ao iFood têm surgido em alguns cidades brasileiras como forma de os consumidores economizarem e os trabalhadores ganharem mais. Esses novos apps permitem negociação de preços e repasse direto a profissionais que trabalham para as plataformas.

Mas há prós e contras. A vantagem é excluir intermediários e permitir a negociação de valores a partir de uma base mínima estabelecida pela plataforma. Também não há punição para a recusa em realizar o serviço. Mas a desvantagem é uma base menor de parceiros cadastrados.

Confira abaixo alguns destes serviços:

Startup para entrega

Para entrar no mercado das entregas de restaurantes, o AppJusto, uma startup que começou a ganhar espaço em São Paulo, criou algumas medidas que dão maior liberdade aos entregadores. Mas, para entrar, é preciso criar uma frota.

Há uma taxa de entrega padrão, que é de R$ 10 para distâncias até 5km, mas os próprios entregadores definem os valores. O app monitora variações muito extremas, para mais ou para menos.

Para o consumidor, na hora de realizar o pedido, é possível ver todas as frotas disponíveis e escolher a que deseja, o que, na avaliação da startup, é mais justo com os profissionais.

"Como são os próprios entregadores que definem o valor do seu trabalho, eles definem de acordo com o que é justo para cada um naquele momento", afirma Pedro Andrade, co-fundador da plataforma.

O aplicativo cobra 5% de comissão dos restaurantes, e não tira nada dos entregadores, que recebem o valor total, o que permite que os preços do cardápio possam ser reduzidos, uma vantagem para o consumidor. "Para o motoboy, não há punição caso ele não aceite a viagem. Não existem bloqueios automáticos, e o atendimento durante a operação é feito por uma pessoa, não um robô", diz Andrade.

Mas há desvantagens. Os motoboys não podem atuar sozinhos, eles precisam se unir em uma espécie de "frota". Outro ponto é que a rede ainda pequena. São 265 estabelecimentos conveniados. Para os entregadores, um número ainda baixo de pedidos. Para os consumidores, a quantidade reduzida de opções. Há 4.000 entregadores e 8.800 consumidores registrados.

Entregador diz ganhar mais

Kleber - Arquivo Pessoal - Arquivo Pessoal
Kleber Oliveira e a noiva, Karol, parceira de entregas
Imagem: Arquivo Pessoal

Há pouco mais de sete meses, o entregador Kleber Oliveira, 31 anos, descobriu o AppJusto por acaso, enquanto navegava na loja de aplicativos procurando uma alternativa para ganhar mais dinheiro.

Em outras plataformas, afirma, ganhava cerca de R$ 1.000 mensais, trabalhando mais de 10 horas por dia. Agora, diz que consegue fazer um valor maior, sem revelar exatamente quanto. "Focando apenas nos horários de grande movimento e nos locais de alta demanda, facilmente consigo superar esse valor em menos tempo", disse ao UOL.

Ainda que a rede do AppJusto atenda poucos restaurantes em bairros restritos de São Paulo, Oliveira não viu nenhuma grande desvantagem até agora.

"Acho que tudo começa do zero. Então, hoje eles podem ser uma rede pequena. Porém, nesses poucos meses em que estou com eles, já vi um grande aumento e evolução, e acredito que serão uma rede grande como os outros aplicativos, porém de forma justa."

App para corridas de passageiros

Para o deslocamento na cidade, o inDriver, com sede na Califórnia, Estados Unidos, oferece na plataforma a opção para que o usuário diga o quanto quer pagar pela viagem —respeitando um limite. O aplicativo tem um parâmetro mínimo para evitar valores injustos.

Segundo Thyerry Mendes, líder de aquisição de motoristas da inDriver no Brasil, o condutor tem acesso a uma lista de informações sobre o passageiro, como foto, avaliação, quantas corridas o passageiro já realizou no app, embarque, desembarque, distância que será percorrida até o ponto de embarque e valor oferecido.

Há uma opção para que ele possa sugerir outro valor (ou escolher entre opções oferecidas, calculadas pelo sistema de inteligência do aplicativo).

O passageiro, quando recebe a contraproposta, também tem acesso aos dados principais do condutor, e aceita ou não o valor. Em alguns municípios, o aplicativo fica com 9,5% do valor, que é debitado do final da corrida. Em outros, há promoções sem desconto.

"Não há nenhum tipo de punição para o motorista que não aceitar a corrida. Ele tem o direito de analisar e decidir o melhor para ele", explica.

Para os dois lados, há uma possível desvantagem. O cadastro pede apenas CPF e uma foto que não necessariamente é tirada na hora, conforme apurou o UOL.

O inDriver informou que o aplicativo passa por uma atualização em que, na hora do cadastro, o usuário é obrigado a fazer uma série de movimentos para que a câmera possa detectar o que é chamado de "vivacidade da pessoa".

"Para passageiros, são solicitados além do cadastro com nome completo, foto de perfil, CPF, data de nascimento, email e número de telefone. Para motoristas, são pedidos foto de perfil, foto do veículo, CRLV e antecedentes criminais. Ambos passam por verificação de dados no Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro)", afirma.