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'SP está virando burro de carga do Brasil', diz Garcia sobre impostos

Rodrigo Garcia (PSDB) criticou a forma de distribuição do dinheiro advindo de impostos no Brasil -
Rodrigo Garcia (PSDB) criticou a forma de distribuição do dinheiro advindo de impostos no Brasil

Colaboração para o UOL, em Maceió

08/06/2022 15h57

O governador de São Paulo Rodrigo Garcia (PSDB) reclamou da quantidade de dinheiro que o governo federal recolhe do estado por meio da cobrança de impostos, e afirmou que o maior estado em termos populacionais do país "deixou de ser a locomotiva do Brasil" para se tornar uma espécie de "burro de carga", cuja parte significativa de seus tributos são destinados para "estados pobres".

"São Paulo, que a gente sempre chamou de locomotiva do Brasil, está virando burro de carga do Brasil", afirmou o governador, ressaltando que, apenas em 2021, o governo federal recolheu R$ 720 bilhões em impostos de São Paulo e devolveu ao estado na forma de repasses R$ 46 bilhões, "15 vezes menos [daquilo] que a gente manda". "Estados pobres como Maranhão, Piauí e Acre ficam com parte desse dinheiro", completou o tucano em entrevista ao podcast "Flow".

Garcia disse que, ao contrário de outros estados, São Paulo é autossuficiente, porém, ele afirmou que o pacto federativo estabelecido na Constituição de 1988, "não é justo", e carece de "mudança", a fim de que os estados "mais ricos e mais organizados" não sejam "penalizados" e deixem de receber "menos" do dinheiro devolvido pelo governo federal dos impostos recolhidos.

Para o governador de São Paulo, a forma como o pacto federativo distribuiu a destinação das verbas advindas desses tributos "municipalizou e estadualizou o serviço, e federalizou o dinheiro, porque de 100% que arrecada com imposto, 63% a 64% fica com Brasília, de 22% a 25% vão para os estados, e cerca de 15% ficam com os municípios".

Ao citar São Paulo como exemplo, por ser o principal contribuinte da federação, o tucano pontuou que o dinheiro do estado "fica lá e não volta", logo os paulistas têm que "viver da nossa arrecadação de impostos estaduais".

"Eu vivo desse Orçamento de R$ 286 bilhões que vem do ICMS, das coisas aqui e repasses federais. O fundo de participação dos estados, que é esse bolo que vai para Brasília e volta, volta para São Paulo 900 milhões. Se pegar estados pobres, volta R$ 15 bilhões, 7 bilhões", declarou.

No podcast, Rodrigo Garcia deu outro exemplo do que considera como "injusto" sobre o pacto federativo, ao comentar a decisão da Caoa Chery em fechar a fábrica que possui em Jacareí, no interior de São Paulo, para ampliar a produção na unidade da empresa em Anápolis, Goiás. Conforme o tucano, um dos motivos para essa decisão da montadora é justamente o "incentivo" concedido pelo Palácio do Planalto aos estados do Centro-Oeste "com dinheiro [oriundo] de São Paulo".

"Esse pacto federativo precisa ser revisto, continuando pensando numa federação, mas precisa ser menos injusto, porque os estados mais desenvolvidos, organizados, são penalizados, recebem menos", completou.

A Caoa Chery paralisou a produção de veículos em Jacareí no mês passado, sob a justificativa de que a decisão visa remodelar a linha de produção para a fabricação de veículos elétricos, atualizando sua gama de produtos.