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Em 12ª alta seguida, BC sobe juros a 13,75% ao ano, maior nível desde 2017

Getty Images/iStockphoto
Imagem: Getty Images/iStockphoto

Do UOL, em São Paulo

03/08/2022 18h33Atualizada em 03/08/2022 21h06

O Copom (Comitê de Política Monetária) do BC (Banco Central) decidiu hoje, por unanimidade, subir a taxa básica de juros da economia (Selic) em 0,5 ponto percentual. Com isso, o índice foi de 13,25% para 13,75% ao ano — o maior patamar desde o reajuste estabelecido de dezembro de 2016 até 11 de janeiro de 2017, quando a taxa também estava em 13,75%.

A última vez em que a Selic teve um valor mais alto do que esse foi no ciclo de 19 de outubro de 2016 até 30 de novembro de 2016, quando o índice foi a 14% ao ano.

A elevação já era esperada por economistas. Essa é a 12ª alta consecutiva neste ciclo de aperto monetário, que já é o mais longo da história do Copom. O movimento começou em março de 2021, quando a taxa foi de 2% para 2,75% ao ano. Desde então, o índice já subiu 11,75 pontos percentuais, no maior choque de juros desde 1999 —na época, o BC elevou a Selic em 20 pontos percentuais de uma só vez para tentar aliviar a crise cambial.

Nas justificativas, o Copom citou o ambiente externo "adverso e volátil, com maiores revisões negativas para o crescimento global em um ambiente inflacionário ainda pressionado. O processo de normalização da política monetária nos países avançados tem se acelerado, impactando o cenário prospectivo e elevando a volatilidade dos ativos".

O grupo afirmou que, no Brasil, houve "a retomada no mercado de trabalho mais forte do que era esperada pelo Comitê". Apesar de um certo otimismo no âmbito nacional, o Copom ressaltou que "permanecem fatores de risco em ambas as direções" em seus cenários para a inflação.

O Copom considera que, diante de suas projeções e do risco de desancoragem das expectativas para prazos mais longos, é apropriado que o ciclo de aperto monetário continue avançando significativamente em território ainda mais contracionista. O Comitê enfatiza que irá perseverar em sua estratégia até que se consolide não apenas o processo de desinflação como também a ancoragem das expectativas em torno de suas metas.

Até maio, os comunicados do BC indicavam que a autoridade monetária pretendia encerrar o ciclo de elevações em junho. No entanto, altas no exterior além do previsto, como do Federal Reserve (o Banco Central dos Estados Unidos) e do Banco Central Europeu adicionaram pressão sobre os juros brasileiros.

Para 2022, a meta de inflação que deve ser perseguida pelo BC é de 3,5%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Ou seja, o limite inferior é 2% e o superior, 5%. Os analistas consideram que o teto da meta será estourado pelo segundo ano consecutivo.

Em junho, o BC indicou que mirava uma inflação mais próxima do centro da meta o que a projeção de 4%. Isso leva uma corrente crescente de economistas a crer que a autoridade monetária não deve ser capaz - mais uma vez - de encerrar o ciclo de alta dos juros, já que as expectativas para o IPCA do ano que vem não param de se afastar do teto da meta (4,75%), com 5,33% no Boletim Focus.

Selic nas últimas doze reuniões

  • 03 de agosto de 2022: 13,75% ao ano
  • 15 de junho de 2022: 13,25% ao ano
  • 04 de maio de 2022: 12,75% ao ano
  • 16 de março de 2022: 11,75% ao ano
  • 02 de fevereiro de 2022: 10,75% ao ano
  • 08 de dezembro de 2021: 9,25% ao ano
  • 27 de outubro de 2021: 7,75% ao ano
  • 22 de setembro de 2021: 6,25% ao ano
  • 4 de agosto de 2021: 5,25% ao ano
  • 16 de junho de 2021: 4,25% ao ano
  • 05 de maio de 2021: 3,50% ao ano
  • 17 de março de 2021: 2,75% ao ano

(Com Estadão Conteúdo e Agência Estado)