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Medo de invadirem seu celular? Existem seguros virtuais, mas são limitados

Adriano Ferreira

Colaboração para o UOL, em São Paulo

10/08/2022 04h00

Os golpes financeiros a partir de furtos ou invasões de celulares são uma preocupação cada vez mais presente. Existem opções de seguro para minimizar suas perdas?

Como estão seguros para celulares? Raquel Silva, diretora da WTW Brasil, consultoria que trabalha com seguro de transações financeiras, afirma que os seguros para transações financeiras de pessoas físicas são novos e as coberturas aos poucos estão sendo desenvolvidas para atender aos vários cenários e situações às quais as pessoas estão sendo expostas.

Dessa forma, algumas seguradoras estão criando pacotes com foco nas diferentes necessidades ou adicionando coberturas como complemento de proteções já conhecidas pelo mercado.

O seguro bolsa protegida, por exemplo, é um caso já consolidado no mercado onde a cobertura para transações financeiras indevidas acontece se o celular estiver dentro da bolsa roubada. Então o seguro vai cobrir as transferências até o limite contratado.

Exemplos de seguros: O Bradesco Seguros oferece cobertura para aplicativo bancário desde o fim de 2021. O serviço inclui transações indevidas, realizadas por terceiros em situações como perda, furto simples, furto qualificado ou roubo do dispositivo móvel, e/ou coação sofrida pelo segurado.

As vítimas têm cobertura em caso de operações indevidas via Pix, transferências, como Ted, Doc, pagamentos de boletos e recarga de crédito em telefonia móvel. O custo do seguro é de R$ 8,99 a R$ 15,99 por mês.

O Itaú Seguros tem disponível o seguro Transação Protegida para pessoas físicas. O plano cobre transações indevidas via Pix, Doc, Ted e Tef, realizadas pelo site e aplicativo do banco, mas só em situações de sequestro ou coação.

A contratação pode ser feita diretamente pelo aplicativo do Itaú com custo mensal a partir de R$ 2,90, e limites de cobertura entre R$ 10 mil e R$ 50 mil, de acordo com a escolha do cliente.

Seguro para empresas: Marcos Antonio Simplicio Jr, especialista em cibersegurança, do departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, afirma que, quando acontece algum vazamento de dados pessoais dos clientes, multas podem ser geradas para as empresas responsáveis, conforme previsto na LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados).

Se uma empresa é alvo de um sequestrador de dados, o seguro, como o oferecido pela empresa Tokio Marine, pode ser acionado para ajudar no pagamento das ações necessárias em decorrência do incidente.

Isso inclui não apenas ações técnicas como a implantação de ferramentas de detecção de invasão e instalação de firewalls, mas também decisões que procuram reduzir o efeito financeiro de eventuais ataques.

Por que esses seguros cibernéticos estavam mais focados em empresas? Leandro dos Santos Maciel, professor de finanças da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP), aponta que os impactos de crimes cibernéticos são mais claramente mensuráveis para as empresas.

Danielle Ayres, professora do curso de relações internacionais da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), diz que é difícil garantir que as pessoas usem corretamente o celular, o que atrapalha a apólice de seguro.

"As empresas que lidam com dados acabam gerenciando melhor a proteção. Todo esse cuidado com as informações não é tão prático quando se trata de um indivíduo", afirma.

É possível ter seguro para todos os seus investimentos? Maciel afirma que a proteção contra ataques cibernéticos de investimentos para pessoas já é oferecida por bancos e corretoras, em geral, se o roubo for explícito, mas exclui extorsão.

As seguradoras enfrentam um limite na investigação de processos de ataques cibernéticos de pessoas, porque existe uma legislação de acesso a dados ainda em construção no Brasil. Para as empresas, a lei é mais desenvolvida, o que permite uma melhor análise dos cenários de investigação em possíveis golpes.

Para Ayres, no caso das criptomoedas, o que existe é outro tipo de armazenamento de dinheiro que nem sempre precisa de uma instituição financeira. É possível guardar os investimentos em um servidor, pendrive ou computador.

O receio das seguradoras é de que o cliente não esteja protegendo os dados nos equipamentos de forma eficaz, o que torna a proteção desses investimentos complexa e inviável.