Presidente do BC diz que não quer ser reconduzido ao cargo em 2024
O presidente do BC (Banco Central), Roberto Campos Neto, disse hoje que não aceitaria um segundo mandato quando o atual terminar, em 2024.
"A recondução não é saudável, ela cria uma fragilidade no meio do mandato porque vai ter um presidente do BC interessado em ser reconduzido e fica exposto, naquele momento, à vontade do Executivo", disse durante palestra em evento do banco BTG Pactual, em São Paulo.
No cargo desde 2019, quando foi indicado pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), Campos Neto disse que tentou tirar do projeto de lei da autonomia do BC a recondução ao cargo de presidente do órgão.
A lei, sancionada no ano passado, prevê mandatos fixos de quatro anos para presidente e diretores do BC, que podem ser renovados uma vez, e não coincidem com o do presidente da República.
"A resposta é não [aceitaria ficar no cargo]. Se dependesse só de mim, não teria recondução na lei de autonomia", disse Campos Neto no evento.
O presidente do BC também falou que a política de gastos públicos será um desafio imediato para "qualquer pessoa que sente na cadeira" da Presidência em 2023.
"[Será] um desafio imediato grande de olhar para o social e, ao mesmo tempo, para a estabilidade da dívida. Existe uma preocupação com a prorrogação das medidas [sociais, com o o Auxílio Brasil] e na forma como isso vai ser feito", afirmou.
"Acho muito cedo para falar disso, há um debate em curso de como isso vai ser financiado. O ministro Paulo Guedes é muito mais apto do que eu para explicar como isso será financiando, pois existe hoje uma incerteza em relação a isso", completou.
Campos Neto disse que já é possível enxergar um pequeno arrefecimento da inflação global, mas destacou que os preços internacionais ainda estão em níveis altos.
"A dinâmica de inflação convergiu, mesmo entre países com histórico de pouca inflação há uma correlação com os emergentes", afirmou. "A inflação de serviços tem sido desafiadora em vários lugares."
Ele avaliou que a expectativa é que a desaceleração global será acompanhada de uma queda na inflação. "De fato, as condições financeiras apertaram muito rapidamente com o movimento sincronizados dos BCs. Acho que o mais importante é que a China começou a entrar de forma diferenciada. Uma coisa é aperto monetário com China crescendo muito, outra com a China desacelerando forte. E a recessão da Europa foi um pouco mais forte que o esperado", afirmou.
(*Com Agência Reuters e Estadão Conteúdo)
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