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Endividamento das famílias brasileiras chega a 77,9% e bate recorde em 2022

Inadimplência também bateu recorde durante o ano; maior parte das dívidas é com o cartão de crédito - Doucefleur/iStock
Inadimplência também bateu recorde durante o ano; maior parte das dívidas é com o cartão de crédito Imagem: Doucefleur/iStock

Do UOL, em São Paulo

19/01/2023 12h20Atualizada em 19/01/2023 12h32

Os dados são de pesquisa divulgada hoje pela CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).

Segundo a Peic (Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor), 77,9% das famílias declararam ter dívidas no ano passado —sete pontos percentuais a mais do que em 2021 (70,9%).

Os principais vilões foram:

  • cartão de crédito: 86,6% das dívidas
  • carnês: 19%
  • financiamento de carros: 10,4%

    A inadimplência também bateu recorde e chegou a 28,9%. Isso quer dizer que a cada dez famílias, três atrasaram algum pagamento em 2022, segundo a pesquisa. O número é 3,7 pontos percentuais maior do que o registrado em 2021.

    Para o CNC, há três motivos principais para essa alta no endividamento:

    1. efeito da pandemia sobre o emprego e fechamento dos negócios
    2. retomada do consumo reprimido com as medidas para contenção da transmissão da covid-19
    3. inovações em métodos de pagamento, como o Pix

    Além disso, o órgão disse que a inflação e os juros altos afetaram as famílias de menor renda. Duas a cada dez famílias que recebem até 10 salários mínimos mensais se declararam "muito endividadas", e comprometem 30,9% da sua renda com o pagamento de dívidas.

    Entre as famílias que recebem mais de 10 salários mínimos mensais, os números caem praticamente pela metade, o que para a CNC, sugere que o superendividamento está concentrado entre os mais pobres.

    Segundo Guilherme Mercês, diretor de Economia da CNC, programas de refinanciamento de dívidas, como o que está sendo debatido pela equipe do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, são fundamentais, mas não resolvem o problema estrutural.

    Em termos estruturais, o que vai resolver é uma taxa de juro mais baixa, para baixar o custo de crédito de forma geral."
    Guilherme Mercês, diretor de Economia do CNC

    A Selic, taxa básica de juros, terminou 2022 a 13,75%, o maior valor desde 2017. A última vez em que a Selic teve um valor mais alto do que esse foi no ciclo de 19 de outubro de 2016 até 30 de novembro de 2016, quando o índice foi a 14% ao ano.