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Site de acompanhantes amplia presença no futebol: 'Nos respeitem'

Nina Sag é a porta-voz do Fatal Model - Divulgação/Fatal Model
Nina Sag é a porta-voz do Fatal Model Imagem: Divulgação/Fatal Model

Renato Pezzotti

Colaboração para o UOL, em Piracicaba (SP)

24/02/2023 08h01

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O Fatal Model, site de anúncios de acompanhantes, tem ampliado sua presença no futebol brasileiro.

Depois de patrocinar clubes menores e aparecer em algumas placas publicitárias de partidas da Copa do Brasil e do Campeonato Carioca no ano passado, a plataforma anunciou este mês uma parceria com o Esporte Clube Vitória, uma das equipes mais tradicionais do país, até o final de 2023.

O Fatal Model ainda patrocina os campeonatos estaduais de estados como Rio de Janeiro, Bahia, Santa Catarina, Ceará e Goiás.

O site não agencia os encontros - apenas dá publicidade às acompanhantes, de quem cobra planos entre R$ 19,90 a R$ 429,90 por mês. Ele se tornou mais conhecido ano passado, ao patrocinar o podcast Flow e aparecer em entrevistas com nomes conhecidos, como a com o atual senador Sergio Moro (União-PR).

Para entender quais os próximos passos do site, o UOL Mídia e Marketing conversou com Nina Sag, sexóloga, acompanhante e porta-voz do Fatal Model. Confira:

Quando começou a estratégia da plataforma investir em publicidade?

Nossa estratégia de publicidade começou em 2020, quando investimos nas nossas redes sociais, em um blog e um canal no YouTube. A ideia era mostrar como o site funcionava, educar quem contrata e quem coloca seus anúncios.

Nós começamos os anúncios em podcasts menores, como o Prosa Guiada, o Vênus e alguns podcasts regionais, até chegarmos no Flow. Quanto tivemos o evento com o Sérgio Moro no programa, a gente percebeu que as pessoas não entendiam bem como o site funcionava.

Até então, as pessoas não tinham se tocado que elas poderiam contratar acompanhantes que faziam propaganda em um site, como antigamente se fazia pelos classificados do jornal.

Isso de forma paralela ao futebol?

Sim. A gente fez de maneira pequena, com times menores, no ano passado. O objetivo da empresa é levar a mensagem, fazer com que a marca seja reconhecida. Queremos investir ainda mais no futebol, mas isso também depende de outros fatores.

As portas estão se abrindo para novas parcerias - e essas parcerias são importantes, porque elas trazem visibilidade para as acompanhantes que estão na plataforma e também divulgam nossos valores, como educação e respeito.

Como que vocês chegaram no Vitória? Qual foi o primeiro feedback deles?

nina - Divulgação/Vitória - Divulgação/Vitória
Nina Sag, sexóloga, acompanhante e porta-voz do Fatal Model
Imagem: Divulgação/Vitória

Nós fizemos alguns contatos via nosso time de marketing. Identificamos o Vitória como um clube que poderia ser muito relevante para a gente. É um time com 123 anos de história e que estavam totalmente alinhados com os nossos valores.

O mais importante é que eles entenderam o que a gente queria.

A gente quer estar no esporte, mas em clubes que as pessoas têm a mesma visão de respeito que nós temos."

E a repercussão?

Desde o início, quando a gente começou a aparecer, a gente vê o susto, a fase das piadas e depois vem a fase do apoio. Como a gente já tinha sido visto em outros campeonatos, as pessoas passaram a não achar tão estranho assim.

Esse patrocínio ao Vitória parece que chocou um pouco mais, porque não estamos colocando a marca em placas no estádio: estamos na camisa de um time tradicional do futebol.

Tem sido muito mais positivo do que negativo. A galera faz piada, mas estão em peso nos dando apoio nas mensagens diretas em nossas redes, estão parabenizando a iniciativa.

Isso repercutiu até internacionalmente. Acabamos de dar uma entrevista em uma TV francesa (a BFMTV) sobre o tema.

O futebol está repleto de patrocínio de sites de apostas, mas um site de acompanhantes gerou muito mais polêmica. Qual a grande diferença?

É muito mais profundo. Tudo que está relacionado a sexo, à sexualidade, traz mais dificuldade às pessoas. Elas não conseguem tratar do tema de forma natural. Hoje, as pessoas têm dificuldade até de falar em assédio.

A profissão de acompanhante é reconhecida desde 2002. Mas são poucas as vezes que a sociedade discute o tema. Não queremos impor as coisas. Ninguém é obrigado a aceitar, ninguém é obrigado a estar de acordo com o nosso trabalho.

O que queremos é que as pessoas nos respeitem. Queremos uma regulamentação, como em qualquer outra profissão.

E quais são os próximos passos?

Por enquanto, estamos focados em entender, em responder todas as mensagens. Esperamos, por exemplo, a retratação de um canal de TV. Isso foi, de repente, uma oportunidade para a gente explicar melhor o que fazemos.

O apresentador Uziel Bueno, da Bandeirantes, afirmou no programa Brasil Urgente que Fábio Mota, presidente do Vitória, virou um "rufião" — indivíduo que vive às custas da prostituição. Uziel arremessou um cinto ao chão durante o programa: "Venha", pedia, enquanto reproduzia o gesto. Para o site, as declarações do apresentador foram "misóginas, preconceituosas e violentas"

Agora começaram a chegar muitos interesses de patrocínio, mas precisamos ser o mais certeiro possível. Temos que estudar esses resultados. Somos um site de anúncios. A gente não agencia ninguém. Nós queremos visibilidade para as duas questões da marca: educação e respeito. A gente quer incomodar um pouquinho, discutir os nossos pontos para que as pessoas reflitam. Nenhum assunto vai ser resolvido sem ter essa provocação.