Conteúdo publicado há 8 meses

Lula lança Plano Safra e diz que governo não tem viés ideológico com agro

O presidente Lula (PT) afirmou hoje, durante lançamento do novo Plano Safra, que não tem questões "ideológicas" com o setor do agronegócio ao construir o programa de financiamento no seu governo —apesar de já ter acusado parte do agro de ter problemas de natureza puramente política com ele.

O que disse Lula?

"Se enganam aqueles que pensam que o governo pensa ideologicamente quando vai tratar de um Plano Safra". Presidente afirmou que o governo também não se trata de um "clube de amigos", mas sim de uma composição com pensamentos distintos.

"Ninguém é obrigado a gostar de ninguém, mas é obrigado a se respeitar". Lula mencionou diretamente a campanha política de 2022 e afirmou que Brasil não tem "aptidão para autoritarismo".

"Quem quiser construir esse país, nós estamos juntos. Quem quiser destruir, terá a nossa adversidade". Presidente ainda citou a necessidade de construir relações de diplomacia com outros países, como China e Venezuela, sem ataques de natureza política que podem prejudicar negócios do Brasil.

Ministros reclamam de Campos Neto

O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, disse apoiar a convocação do presidente do Banco Central para explicar juros. Com a taxa mantida a 13,75%, Fávaro replicou críticas feitas por integrantes do governo e disse que pediria licença de um dia do cargo de ministro para poder questionar Campos Neto enquanto senador.

"Muito suor" para chegar a taxa de juros menor para Plano Safra. Ministro da Agricultura afirmou que a equipe técnica também gostaria de estabelecer maiores "prêmios" para produtores que tenham práticas rurais sustentáveis, mas que taxa de juros foi desafiadora.

Temos que convocar o presidente do Banco Central, saber dele qual é a responsabilidade dele com o Brasil. Qual sentido se faz ter Selic de 13,75%? O que ele pensa dos empregos, do desenvolvimento do país?
Carlos Fávaro, ministro da Agricultura

Aceno a bancada ruralista. Tanto Fávaro quanto o ministro Fernando Haddad, da Fazenda, agradeceram à Frente Parlamentar da Agropecuária pelo "diálogo" em prol da construção do Plano Safra. Não havia tantos representantes da Frente: apenas o vice-presidente do grupo, o deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), estava no evento.

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Assim como Fávaro, a ministra do Planejamento, Simone Tebet, afirmou que, se ainda estivesse no Senado Federal, convocaria o presidente do Banco Central para esclarecer a alta taxa de juros. No entanto, disse que acredita que não será necessário.

Isso porque, na avaliação da ministra, a Ata da reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) que será divulgada hoje vai mostrar a equipe econômica do governo está "acertada" e que o Brasil "está no caminho certo".

Na tarde desta terça-feira, Fávaro disse à CNN que "não interessa a posição política de cada um", mas que homens e mulheres que querem o bem do agro terão "as portas abertas" para construir políticas públicas efetivas. "Tenho certeza que será um grande passo para a reaproximação definitiva do presidente com a agropecuária brasileira."

Detalhes do novo plano Safra

Plano Safra 2023/24 oferecerá um total aproximado de R$ 364,22 bilhões em empréstimos para médios e grandes produtores, 27% a mais do que a oferta de crédito na temporada 2022/23;

Taxa de juros é de 12%, com exceções para os produtores enquadrados no Pronamp, os juros são de 8% para custeio e comercialização. Para linhas voltadas a investimentos no setor, as taxas de juros permaneceram na faixa de 7% a 12,5% ao ano, variando conforme o programa.

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Safra empresarial também incentivará sistemas de produção ambientalmente sustentáveis. Serão beneficiados com reduções até 0,5 ponto percentual produtores rurais que já tenham o Cadastro Ambiental Rural (CAR) analisado e também aqueles que adotam práticas agropecuárias consideradas mais sustentáveis.

Plano Safra da Agricultura Familiar vai financiar R$ 75 bilhões a um juro menor que 10%, disse Lula em uma transmissão ao vivo hoje. O anúncio oficial deve ser feito amanhã pelo ministro Paulo Teixeira, do Desenvolvimento Agrário.

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