Lula contraria Haddad e diz que meta fiscal 'dificilmente será zero'

O presidente Lula (PT) descartou hoje a meta fiscal de déficit zero para 2024, uma das principais bandeiras do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, para o ano que vem.

O que Lula disse

Em café da manhã com jornalistas, o presidente disse que ela "dificilmente será cumprida" e que não irá cortar investimentos para cumpri-la. O arcabouço fiscal, proposto pelo governo e aprovado pelo Congresso, estabelece uma meta de resultado primário zero para o próximo ano, com margem de tolerância de 0,25%.

Quero dizer para vocês que nós dificilmente chegaremos à meta zero, até porque não quero fazer cortes em investimentos de obras. Se o Brasil tiver um déficit de 0,5%, o que é? De 0,25%, o que é? Nada. Praticamente nada. Então nós vamos tomar a decisão correta e vamos fazer aquilo que vai ser melhor para o Brasil.
Lula, em café com jornalistas

Segundo o presidente, 2024 será "um ano difícil" e não se pode ignorar isso. "Por conta da queda dos investimentos da China, da queda do crescimento da China, do aumento de juros na taxa de juros americana", justificou.

Zerar a meta tem sido uma das principais lutas de Haddad, que já admitiu ser "difícil", mas nunca falou em descumprimento. Em setembro, o governo reduziu a estimativa de déficit neste ano, mas ainda assim deve fazer um bloqueio de mais R$ 600 milhões para cumprir a meta fiscal.

Os ministérios do Planejamento e da Fazenda anunciaram no dia 22 o bloqueio total de R$ 3,8 bilhões em despesas discricionárias no Orçamento de 2023. Isso significa um aumento de R$ 600 milhões no contingenciamento — até julho, já havia sido feito um contingenciamento de R$ 3,2 bilhões.

Lula disse ainda que tudo o que o governo puder fazer para cumprir a meta fiscal vai ser feito, mas ponderou que "ela não precisa ser zero". Ele chamou o mercado financeiro de "ganancioso" e descartou cortar investimentos para atingir a meta.

A gente não precisa disso. Eu não vou estabelecer uma meta fiscal que me obrigue a começar o ano fazendo corte de bilhões nas obras que são prioritárias para esse pais. Então eu acho que muitas vezes o mercado é ganancioso demais e fica cobrando uma meta que eles sabem que não vai ser cumprida.
Lula, em café com jornalistas

Lula previu 2024 como um "ano difícil", "por conta da queda de investimento da China, da queda do crescimento da China, do aumento da taxa de juros americano". Por isso já pediu medidas para a equipe econômica.

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É por isso que inventaram o check-up, que é para evitar que a doença se prolifere. Então, temos consciência do que está acontecendo na economia mundial e temos que atuar agora para evitar que aconteça o que pode acontecer. É como a gente faz o 'checkupzinho' a cada um ano, dois anos, para evitar uma doença que já não tenha mais cura.
Lula, em café com jornalistas

O próprio secretário do Tesouro, Rogério Ceron, já comentou sobre essa dificuldade. "Os indicadores apontam para uma desaceleração econômica no Brasil, e acompanhamos os impactos, mas continuaremos busca por melhor resultado fiscal possível em 2024", disse hoje.

O presidente participou de um café da manhã com jornalistas por cerca de uma hora e meia no Palácio do Planalto. Lula completa 78 anos hoje. Mais cedo, recebeu um bolo de aniversário e parabéns de militantes em frente ao Palácio da Alvorada.

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