Apagão em SP: existe seguro residencial e empresarial contra desastres?

A queda de energia, gerada pelos temporais do feriado, impactou a vida de milhares de pessoas em São Paulo. Para quem teve um imóvel prejudicado ou continua enfrentando os efeitos do apagão e tem seguro, vale entender qual a cobertura oferecida. O UOL falou com algumas seguradoras para verificar como funciona a cobertura nesses casos e o que está garantido.

O que os seguros cobrem em caso de apagão?

Seguros residenciais e empresariais cobrem danos causados por alagamento, queda de eletricidade ou vendaval. É o que diz Magda Truvilhano, vice-presidente da Comissão de Riscos Patrimoniais Massificados da FenSeg (Federação Nacional de Seguros Gerais).

Porém, quem tem seguro residencial ou empresarial, precisa ficar atento ao teor da apólice. Se nela estiver escrito que cobre vendaval, descarga elétrica, furacão, por exemplo, está respaldado, diz o advogado Alexandre Berthe.
Alguns contratos, no entanto, possuem cláusulas que isentam as seguradoras de cobertura no caso de calamidade pública. Os temporais do feriado não geraram nenhum decreto nesse sentido. Então, cabe a cobertura.
Alexandre Berthe, advogado

O que fazer para pedir a cobertura?

O primeiro passo para pedir a cobertura do seguro é ler a apólice para identificar o que está ou não protegido pelo contrato. Depois, o segurado precisa comprovar que foi afetado pelo temporal do feriado ou pelo apagão. Pode usar como provas: fotografias, laudos técnicos, registros de ocorrência, faturas, recibos e outros documentos pertinentes ao caso.

A cobertura do seguro vale a partir do momento da contratação. Não há cobertura retroativa.

A orientação básica para o consumidor, é para aguardar pelo menos um mês, para ver como vai estabilizar a situação. "Se queimou algum eletrodoméstico, obrigatoriamente ela terá de abrir um sinistro. Ligue para o corretor e registre o sinistro. Eventualmente, a seguradora vai pedir orçamento, enquanto isso, registre a reclamação na própria Enel, que já sinalizou que vai indenizar as pessoas," orienta o advogado Alexandre Berthe. Quem perdeu muitos eletrodomésticos e eletroeletrônicos, como geladeira, computador, entre outros, deve fazer o orçamento detalhado para embasar uma possível ação judicial, caso necessário.

Qual o custo do seguro?

Seguro custa de R$ 19,90 a 0,2% do valor do imóvel. BB Seguros, Caixa Seguridade, Porto Seguro e Bradesco Seguros são algumas das seguradoras que oferecem cobertura para casos como o temporal do feriado. Há opções a partir de R$ 19,90. Alguns cobram percentual em cima do valor do imóvel.

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O que as seguradoras oferecem?

A maioria tem proteção contra danos elétricos, proteção contra incêndio, equipamentos queimados, vazamentos e vidros quebrados. Alguns dispõe de cobertura para alimentos refrigerados — a maioria nas apólices empresariais — alagamento, troca de telhas e até aluguel de um lugar provisório, caso necessário.

Todas as coberturas dependerão do valor total da apólice contratada. Na BB Seguros, tanto o seguro residencial quanto o empresarial contam com cobertura para danos elétricos que cobre os bens danificados, bem como a parte elétrica da residência ou empresa. Já a cobertura para vendaval cobre os danos de um eventual destelhamento causados por vendavais, ciclones, tornados e granizo. Também é possível contratar a cobertura de danos por água, rompimento de tubulações, alagamento e infiltração por chuva. Os valores de reembolso variam conforme o equipamento e são limitados ao valor máximo de cobertura contratado.

No seguro empresarial, também é possível contratar cobertura de deterioração de mercadorias em ambientes frigorificados. "Geralmente, essa cobertura tem grande apelo para as padarias, bares, restaurantes e farmácias. O objetivo é cobrir as mercadorias armazenadas em ambientes frigorificados em casos de queima ou mau funcionamento do frigorífico, por exemplo", explica Emerson Nagata, superintendente executivo de negócios e soluções em danos da Brasilseg. Há opções de seguros nas apólices empresariais por menos de R$ 30 por mês.

Na Caixa Seguridade, ambos os seguros garantem proteção para o imóvel e os objetos internos, inclusive com acionamento de assistências como serviços de eletricista, encanador, vidraceiro, desentupimento, cobertura provisória de telhados, remanejamento de móveis. No caso de empresas, a Caixa Seguridade oferece coberturas para danos elétricos, equipamentos quebrados, coberturas de telhas, vazamentos, danos em estoques e materiais. O seguro empresarial atende vários nichos comerciais, inclusive o de alimentos. Os valores de cada seguro dependem das coberturas negociadas pelo cliente.

A Porto Seguro tem seguro residencial com cobertura para danos elétricos; proteção contra incêndios e explosões; para eletrônicos queimados (em caso de queda de energia provocada pelas chuvas ou raios), vidros quebrados, destelhamento e até aluguel de um lugar provisório, caso necessário. O custo varia conforme a cobertura escolhida, e existem planos para pessoas físicas a partir de R$ 19,90/mês.

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O seguro também pode cobrir alagamento, que ampara também inundação e enchente resultantes de acúmulo de água nas ruas, por problemas de drenagem ou transbordamento de lagos e rios em decorrência de fortes chuvas. Na cobertura de vendaval, está incluso o destelhamento da casa gerado pelo ocorrido e até mesmo danos gerados por queda de granizo.

A Bradesco Seguros tem seguro residencial e comercial que inclui proteção contra incêndio, queda de raio e explosão e danos elétricos. No empresarial, os consumidores têm acesso a coberturas como, por exemplo, despesas referentes à deterioração de itens refrigerados, equipamentos portáteis, entre outros.

No residencial, as coberturas são contra incêndio; queda de raio e explosão de qualquer natureza. É possível adicionar coberturas extras, como proteção contra desmoronamento, vendaval, furacão, ciclone, chuva de granizo, alagamento e inundação, danos elétricos e outros serviços. Já o seguro empresarial também pode incluir proteções contra incêndio; queda de raio; explosão; fumaça; tumultos, greves e lockouts; queda de aeronaves; incêndio decorrente de queimadas em zonas rurais; e impacto de veículos terrestres, além de serviços emergenciais gratuitos.

É possível adicionar coberturas extras como desmoronamento, vendaval, furacão, ciclone, chuva de granizo, alagamento e inundação, danos elétricos, cobertura provisória de telhados, danos a mercadorias refrigeradas, conta Raquel Cerqueira, superintendente executiva de ramos elementares. Quanto ao custo, o seguro residencial representa, em média, apenas 0,1% ou 0,2% do valor do imóvel. Já o empresarial, representa 0,2%.

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