Como evitar sites falsos com promoções boas demais na Black Friday

Com promoções boas demais para ser verdade, sites falsos tentam enganar o consumidor que está atrás das melhores promoções. O Procon de São Paulo tem uma lista com 78 sites que devem ser evitados pelo consumidor — não só no período de promoções, mas durante todo o ano. Veja abaixo quais são e como identificar sites fraudulentos.

Como evitar sites fraudulentos

Dos 78 sites, 13 ainda estão no ar, mas novos surgem a cada momento. A lista é atualizada constantemente pelo Procon e pode ser consultada aqui. Entram no ranking as empresas que foram notificadas pelo órgão e que não responderam ou sequer foram encontradas.

Os sites fraudulentos podem se apresentar de formas diferentes. Os mais comuns são aqueles que oferecem promoções tentadoras demais, com preços muito abaixo daqueles praticados pelo mercado, mesmo durante a Black Friday.

Por isso é importante que o consumidor saiba qual é a média de preço do produto que ele pretende adquirir. Assim ele saberá o quão barata aquela compra pode ser. Thiago Silva, especialista da Proteste, diz que não adianta "apenas acreditar que aquele preço tão baixo é, de fato, uma promoção séria". Fazer uma pesquisa antes é essencial. "Alguns sites fazem essa análise e comparações de preços e já limitam essas empresas que são fraudulentas. A chance de acabar caindo em golpes diminui", avalia o especialista. É o mesmo alerta da Febraban (Federação Brasileira dos Bancos).

Desconfie de preços muito baixos. Se estão muito fora do normal, é preciso desconfiar de algum golpe.

Sempre fique muito atento. O produto tem um preço médio no comércio de R$ 1.000,00, mas alguém está anunciando o mesmo item por R$ 300,00? Há fotos e vídeos de antes e depois de produtos com resultados mirabolantes? A loja oferece poucas opções de pagamento? O e-commerce é recém-criado em rede social? Pare, pense e desconfie. Pode ser golpe.
Adriano Volpini, diretor do Comitê de Prevenção a Fraudes da Febraban

Cuidado com os sites "clones"

É comum que golpistas criem sites visualmente parecidos com os de grandes varejistas. Eles copiam o layout para passarem veracidade. Na Black Friday do ano passado, consumidores denunciaram endereços falsos do Magazine Luiza para o ReclameAqui, por exemplo.

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Criminosos podem induzir o consumidor ao erro com alguns detalhes. Eles pode colocar uma letra a mais na URL do site, que muitas vezes fica imperceptível para o cliente, ou trocar uma letra "o" por um número zero. A Febraban recomenda sempre digitar o endereço do site na barra de pesquisa do navegador para não errar.

Também é comum que as URLs sejam parecidas com as oficiais, e pareçam estar apenas adaptadas para a Black Friday. "A questão da URL é super importante. Por exemplo, a gente tem o site oficial da Americanas. [Criam] um Saldão Americanas. É uma coisa boba, mas que já mostra que o site é completamente fraudulento", diz Thiago.

Cheque se o site parece verídico. Verifique se há algum serviço de SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor), uma política de devolução clara, se o endereço tem selo de certificação de alguma empresa de segurança digital, se há CNPJ disponível, entre outros, diz o especialista.

Os golpes de sites falsos também podem chegar por meio de propagandas em redes sociais. Criminosos muitas vezes investem em posts patrocinados para ampliar seu alcance. O ideal é sempre checar se o perfil que divulgou aquela promoção é oficial, se existe há muito tempo e se o número de seguidores faz sentido.

Se o site for desconhecido, o consumidor deve verificar a sua reputação. Via de regra, o ReclameAqui é a plataforma mais popular para esse tipo de pesquisa. Se não existir qualquer menção sobre o endereço em lugar algum, provavelmente há algo errado.

O site não ser conhecido não é necessariamente um problema, ele tem que cumprir a oferta. Por isso deve ser feita uma análise antes. Existem fóruns em que outras pessoas já podem ter falado sobre os problemas que elas tiveram com aquele site. O ReclameAqui pode ter ou não. Por isso é bom colocar as informações no buscador.
Thiago Silva, especialista da Proteste

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O consumidor também deve se atentar às formas de pagamento. A Febraban diz que deve-se desconfiar de empresas que pedem pagamentos antecipados e prometem entregas em prazos longos. Ou daquelas que só têm as opções de pagamento por Pix ou por depósito bancário.

Para compras online, o cartão virtual é sempre o mais indicado. E se o pagamento for via Pix, deve ser feito dentro do ambiente da loja. O Procon ainda recomenda que se observe os dados da empresa em boletos e a titularidade de contas para depósitos.

E se eu cair em um golpe?

O Procon orienta, antes de tudo, buscar a empresa. Pode se tratar de uma falha pontual que pode ser resolvida. Caso ele não consiga contatar esse fornecedor, é importante buscar os órgãos de defesa do consumidor para fazer o registro do caso.

Dependendo da fraude, a gente orienta lavratura boletim de ocorrência. Todo trabalho da Black Friday é preventivo, o consumidor deve ser bem orientado para que ele não caia nesses golpes. É muito mais fácil prevenir do que remediar o problema depois.
Carina Minc, assessora técnica do Procon-SP

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