13,6 mi não pagariam IR com correção integral da tabela, diz Unafisco

Dados da Unafisco (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil) mostram que mais 13,6 milhões de contribuintes teriam a isenção de Imposto de Renda com a correção integral da tabela do IR pela inflação até dezembro de 2023.

O que aconteceu

Hoje a isenção é dada para 19.545.510 contribuintes, e, com correção, subiria para 33.190.526. Com a diferença, o governo federal deixaria de arrecadar R$ 202 bilhões por ano.

A defasagem atual é de 134,01% para a faixa de isenção e de 159,57% nas demais. A Unafisco diz que trabalhadores que recebem até R$ 2.112 têm isenção de Imposto de Renda e, com a correção, a isenção valeria para todos que recebem até R$ 4.942,29.

Hoje as faixas de cobrança de Imposto de Renda são as seguintes:

  • Até R$ 2.112: isento
  • De R$ 2.112,01 até R$ 2.826,65: 7,5%
  • De R$ 2.826,66 até R$ 3.751,05: 15%
  • De R$ 3.751,06 até R$ 4.664,68: 22,5%
  • Acima de R$ 4,664,68: 27,5%

Com a correção proposta pela Unafisco, a tabela ficaria assim:

  • Até R$ 4.942,29: isento
  • De R$ 4.942,30 até R$ 7.337,14: 7,5%
  • De R$ 7.337,15 até R$ 9.736,60: 15%
  • De R$ 9.736,61 até R$ 12.108,11: 22,5%
  • Acima de R$ 12.108,11: 27,5%

O cálculo da Unafisco considera a inflação de 1996 até 2023. No ano passado, a inflação foi 4,62%, segundo o IBGE. A Unafisco afirma que a defasagem gera "injustiça tributária" e que afeta principalmente a classe média.

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A classe média assalariada suporta o ônus do financiamento das políticas públicas, enquanto os mais abastados se beneficiam. A Unafisco Nacional reitera a urgência de revisão na reforma tributária, sugerindo a possibilidade de a classe média compensar os acréscimos relacionados aos serviços no imposto de renda.
Mauro Silva, presidente da Unafisco, em nota

Atualização da tabela do IR

A tabela do Imposto de Renda foi alterada em maio do ano passado. As faixas não eram corrigidas desde 2015 e, com a mudança, houve um aumento na faixa de isenção, mas as outras foram mantidas.

A faixa de isenção subiu de R$ 1903,98 para R$ 2.112. O governo também criou uma dedução simplificada de R$ 528 e, com isso, quem recebe até R$ 2.640 também tem isenção.

O desconto simplificado é opcional e vai valer mais a pena para os trabalhadores que ganham menos. Quem ganha até R$ 2.640 não paga Imposto de Renda nem na fonte nem na declaração de ajuste anual. Os trabalhadores que ganham mais do que isso vão pagar apenas sobre o valor excedente.

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