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Lula critica juros, mas diz ter 'paciência' para trocar presidente no BC

O presidente Lula (PT) criticou a taxa de juros no Brasil, mas disse ter "paciência" para o fim do mandato de Roberto Campos Neto à frente do Banco Central, que se encerra em 31 de dezembro.

O que aconteceu

Lula afirmou que o Brasil precisa de pessoas com "responsabilidade". "O presidente do Banco Central tem que saber que quem perde dinheiro com essa taxa de juros muito alta é povo brasileiro, é o empresário que não consegue dinheiro para investir. É isso que está em jogo. Mesmo dizendo isso, eu tenho toda a paciência do mundo porque eu tenho que esperar até dezembro para mudar o Banco Central", disse.

O que nós precisamos é que pessoas do mercado tenham responsabilidade com esse país. Esse país não pode ficar tomando susto todo dia porque o mercado não gostou disso ou não gostou daquilo. O mercado está ganhando muito dinheiro com essa taxa de juros. Isso é que tem que ficar claro para a sociedade. [...] Eu gosto mais do país do que o mercado. Eu quero mais bem ao futuro do país do que o mercado. Não sou movido a mercado.
Lula, em café com jornalistas

Gabriel Galípolo, diretor de política monetária do BC, é o principal cotado para substituir Campos Neto. Ele integrou a equipe de transição do terceiro mandato de Lula, foi número 2 do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e é muito ligado ao presidente. Outro nome forte é o de Paulo Picchetti, diretor de assuntos internacionais do BC, e amigo de Haddad.

Indicação de nome para assumir vaga é de competência do presidente da República. Lula, porém, ainda não se pronunciou sobre quem deve escolher. "Quem já conviveu com Roberto Campos um ano e quatro meses, não tem problema viver mais seis meses."

Petrobras em crise

Lula disse que a Petrobras "nunca teve crise". "A crise da Petrobras é o fato de que ela é uma empresa muito grande. [...] Eu não vejo problema na Petrobras. O fato de você ter um desentendimento, uma divergência, uma colocação equivocada, faz parte existência do ser humano", afirmou o presidente.

Quando Deus nos fez, quando deu boca, já estava previsto isso. Nem sempre a boca fala somente as coisas que são boas. Às vezes, uma palavra mal colocada cria uma semana de especulação, mas eu posso dizer que a Petrobras está tranquila.
Lula, em café com jornalistas

Ele ainda negou intenção de reforma ministerial. "Não existe nenhuma previsão de reforma ministerial na minha cabeça nesse instante", disse, apesar de críticas a vários ministros e negociadores do governo com o Congresso.

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Sobre a regulamentação da reforma tributária, Lula não deu detalhes, mas disse que o desejo do governo é manter o mesmo relator. "Mas quem decide é o presidente Arthur Lira", afirmou, acrescentando que "o certo seria cobrar nada da cesta básica".

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