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Gostaríamos de ter a taxa de juros mais baixa possível, diz Campos Neto

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirma que gostaria que os juros fossem mais baixos no país, mas que isto não é possível, porque a taxa estrutural é alta. Campos Neto participou neste sábado (8) em um evento organizado pela Esfera Brasil no Guarujá (SP).

O que aconteceu

Campos Neto disse que a taxa de juros neutra é alta, na casa de 4,5% ao ano. Esta taxa é a que não causa inflação e nem desinflação no país. Segundo ele, seria possível diminuir as taxas de juros no Brasil e este indicador de equilíbrio também fosse mais baixo.

É óbvio que a gente gostaria de ter a taxa de juros mais baixa possível. Mas a nossa taxa de juros estrutural é alta. Roberto Campos Neto, presidente do BC

Para ele, é preciso combater as causas que fazem a taxa neutra ser alta. O presidente do BC não detalhou os motivos que levam a isto, mas afirmou que o cenário fiscal é um dos motivos.

É preciso entender isso, porque senão estamos querendo combater a consequência e a gente precisa atacar a causa do problema. Roberto Campos Neto, presidente do BC

PIS/Cofins

Campos Neto afirmou que o impacto da MP que limita uso de créditos de PIS/Cofins para compensar desoneração não é a principal preocupação do BC. O presidente do BC afirma que o órgão precisa se preocupar com as expectativas do mercado sobre a inflação para tomar as decisões.

O presidente do BC foi perguntado sobre o impacto de um possível aumento no preço dos combustíveis na inflação. O debate surge em meio a discussão dos impactos de uma MP que muda o sistema de crédito de PIS/Cofins.

Crédito de PIS/Cofins é um benefício fiscal que pode ser usado para abater débitos de outros impostos. Eles são concedidos com objetivo de estimular alguns setores econômicos e reduzir o efeito cumulativo dos tributos. Esse benefício reduz a arrecadação, já que pode ser deduzido do imposto a pagar.

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Se a MP for aprovada pelo Congresso, o uso desses créditos será limitado para abater débitos apenas do próprio PIS/Cofins. A expectativa do governo é que a medida resulte no aumento da arrecadação dos dois impostos, já que, com a restrição, as empresas pagarão mais imposto do que atualmente.

Campos Neto disse que o trabalho do BC é técnico. O principal objetivo do órgão é fazer a inflação convergir para a meta estabelecida pelo governo federal, que é de 3% em 2024. O presidente do BC diz que foi contrário a desonerações em combustíveis durante o governo Bolsonaro. Segundo o presidente do BC, este tipo de medida faz com que os preços voltem a ficar mais caros no futuro, mas recompor a arrecadação que foi deixada de lado em algum momento.

"O que importa é entender qual é a expectativa, o que o mercado entende que é a expectativa, e como que isso vai se desenrolar na frente. Se tiver que ser feito um ajuste no preço de combustíveis, porque o preço lá fora está alto ou porque tem um problema fiscal, que precisa endereçar o fiscal, esse não é o problema principal do Banco Central.

* A repórter viajou a convite do grupo Esfera Brasil.

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