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Indústria cai mais que esperado em novembro, deve fechar 2015 com queda de mais de 8%

Caio Saad e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - Após o desastre em Mariana (MG) e greve na Petrobras, o setor industrial acentuou as perdas em novembro e caminha para encerrar 2015 com queda de mais de 8% em meio às crises econômica e política no país.

A produção industrial brasileira caiu 2,4% em novembro na comparação com outubro, pior resultado desde dezembro de 2013 (-2,8%), após recuo de 0,6% no mês anterior. O número representa a sexta queda mensal seguida, sequência inédita de perdas na série histórica, iniciada em 2002.

Na comparação com o mesmo mês de 2014, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou nesta quinta-feira (7) que houve perdas de 12,4%, a mais acentuada desde abril de 2009 (-14,1%) nessa base de comparação.

Os resultados foram bem piores do que as expectativas em pesquisa da agência de notícias Reuters com economistas, de queda de 0,95% na variação mensal e de 10,3% na base anual.

"Havia uma dúvida sobre como a greve na Petrobras e o desastre de Mariana iriam afetar o índice. Os modelos muitas vezes não conseguem capturar esses eventos", explicou o estrategista-chefe do Banco Mizuho Luciano Rostagno.

As perdas no acumulado de 2015 já chegam a 8,1%, superando o pior desempenho já registrado pela indústria, em 2009, de queda de 7,1%.

Quase todos os setores caem

Quase todos os segmentos pesquisados registraram perdas no mês, com destaque para a queda de 3,8% de Bens Intermediários.

Também se destacaram as perdas de 3,2% na produção de Bens de Consumo Duráveis, enquanto o segmento de Bens de Capital, uma medida de investimento, apresentou queda de 1,6%.

Entre os ramos pesquisados, 14 dos 24 tiveram contração em novembro, sendo as principais influências negativas indústrias extrativas (-10,9%) e coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-7,8%).

Segundo o IBGE, as perdas nesses ramos decorreram daquele que tem sido considerado o pior desastre ambiental da história do país, em Mariana (MG), e da greve dos funcionários da Petrobras, que interrompeu a produção em diversas plataformas em novembro.

Tendência de queda

A indústria brasileira vem padecendo este ano diante da profunda fragilidade econômica, que afeta a confiança de empresários e consumidores e prejudica a demanda em meio ao aumento do desemprego e da inflação alta.

Dezembro não deve trazer nenhuma melhora, uma vez que o Índice de Gerentes de Compras (PMI, na sigla em inglês) aponta que o último mês de 2015 será o 11º seguido de contração.

"Com a Petrobras voltando às operações, ajuda a recuperar um pouco. Mas claramente a tendência continua sendo de queda da produção industrial, com a demanda fraca e os estoques elevados. Por enquanto não dá para vislumbrar uma estabilização no horizonte", disse Rostagno, citando as dificuldades de investimento diante dos cenários político e econômico adversos.

A retração do setor também deve se prolongar para 2016, com a pesquisa Focus do Banco Central mostrando que a projeção de economistas para a produção industrial neste ano é de queda de 3,5%, após fechar 2015 com recuo de 7,8%.

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