China suspende importação de carne brasileira e pede explicações

BRASÍLIA, 20 Mar (Reuters) - O Ministério da Agricultura confirmou nesta segunda-feira (20) que a China suspendeu a entrada de carne brasileira no país até o Brasil prestar esclarecimentos sobre suposto esquema de fraude em inspeções, revelado pela Polícia Federal, envolvendo pagamento de propina para a liberação de produtos sem fiscalização adequada.

Mais cedo, uma fonte na China havia dito à agência de notícias Reuters que a suspensão das compras de carne brasileira seria uma medida de "precaução". 

Segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), as exportações de carne do Brasil à China somaram US$ 1,75 bilhão no ano passado, respondendo por cerca de 13% do total.

Outros países

A decisão chinesa ocorre após a Coreia do Sul intensificar as fiscalizações de carne de frango importada do Brasil e banir temporariamente as vendas de produtos de frango da BRF, dona da Sadia e da Perdigão e maior produtora de carne de frango do mundo.

Além dos países asiáticos, a Comissão Europeia também disse nesta segunda-feira que está monitorando as importações de carne do Brasil e que todas as empresas envolvidas no escândalo de carne terão acesso negado ao mercado da União Europeia. 

O Ministério da Agricultura afirmou não ter recebido ainda comunicado formal tanto da Coreia do Sul quanto da UE.

O Chile também anunciou a suspensão das importações de carne brasileira. 

Nota da BRF

A BRF divulgou uma nota nesta segunda-feira, em que diz não ter recebido nenhum aviso sobre a suspensão de seus produtos: 

"Diferentemente do que vem sendo noticiado, a BRF informa que não recebeu nenhuma notificação oficial das autoridades brasileiras ou estrangeiras a respeito da suspensão de suas fábricas por países com os quais mantém relações comerciais, incluindo Coreia do Sul e União Europeia."

Operação Carne Fraca

Em operação lançada na sexta-feira e batizada de Carne Fraca, a Polícia Federal mobilizou agentes para desarticular uma organização criminosa envolvendo fiscais agropecuários e cerca de 40 empresas, incluindo as gigantes BRF e JBS. A investigação apontou fraudes na fiscalização sanitária, com o pagamento de propina para liberação de mercadorias adulteradas e estragadas.

Em resposta, o Ministério da Agricultura informou que uma fábrica da BRF em Mineiros (GO) e duas unidades da Peccin em Curitiba (PR) e Jaraguá do Sul (SC) foram interditadas cautelarmente, e que equipes de auditoria foram designadas para apurar irregularidades em outros 18 estabelecimentos citados na operação da PF.

O ministério também disse no domingo ter emitido notas para as autoridades sanitárias estrangeiras, informando a natureza das investigações e as ações já adotadas.

O presidente Michel Temer voltou a minimizar nesta segunda os problemas com a carne brasileira, afirmando que os "números espancam qualquer dúvida" já que a imensa maioria dos frigoríficos sujeitos a inspeção não é alvo de suspeitas de irregularidades. 

(Por Marcela Ayres; Edição de Alexandre Caverni e Pedro Fonseca)

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