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IPO de operações do Carrefour no Brasil pode sair no piso de faixa indicativa, dizem fontes

Por Guillermo Parra-Bernal e Bruno Federowski

SÃO PAULO (Reuters) - A oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) das operações do grupo Carrefour no Brasil pode ser precificada nesta terça-feira no piso da faixa indicativa, refletindo preocupações sobre a avaliação de uma das maiores redes de supermercados do país, disseram três pessoas familiarizadas com o assunto.

Na noite de segunda-feira, a demanda dos investidores atingia menos de duas vezes o total de ações ofertadas no IPO, com base em um preço de 15 de reais por ação, disseram as fontes, que pediram anonimato para discutir a operação livremente.

Gestores de fundos disseram que o preço na metade superior da faixa indicativa garantiria ao Carrefour um grande prêmio sobre o concorrente GPA, apesar da falta de significativas vantagens competitivas.

O Carrefour e os acionistas esperam levantar até 5,6 bilhões de reais se o IPO for precificado no teto da faixa indicativa, de 19 reais por ação ordinária. Procurado, o Carrefour não comentou.

O IPO deve ajudar o Carrefour Brasil a ganhar força financeira para enfrentar o GPA, cuja divisão de alimentos se recuperou em meio à queda de vendas de eletrodomésticos. Recentemente, o Carrefour ultrapassou o GPA como maior varejista do Brasil em termos de vendas.

No piso da faixa indicativa, as ações do Carrefour seriam negociadas com um desconto em relação aos papéis do GPA, disseram gestores.

A transação sela a primeira fase de uma aliança entre o Carrefour e o empresário Abílio Diniz, que começou em 2014 e envolveu a reformulação do modelo de negócios. Diniz, cuja família fundou o GPA, é o terceiro maior acionista do Carrefour, com assento no conselho.

O IPO do Carrefour é o primeiro das duas operações que devem acontecer esta semana, que será a mais ativa em oferta de ações desde meados de fevereiro.

Já a oferta de recibos de ações brasileiras (BDRs) da empresa farmacêutica colombiana Grupo Biotoscana SA atraiu demanda três vezes superior ao volume de ações a ser ofertado, pelo preço mediano da faixa de 24,50 a 28,50 reais, acrescentaram duas das fontes.

A precificação da oferta, originalmente agendada para terça-feira, foi adiada para sexta-feira, depois que a Biotoscana revisou suas demonstrações financeiras em resposta a um inquérito regulatório sobre a contabilização da compra em 2015 do Laboratório LKM.

Os investidores desconfiam dos IPOs brasileiros depois que uma série de lançamentos nos últimos anos não conseguiram atingir os retornos prometidos. Menos de um terço dos 115 IPOs precificados desde o início de 2007 geraram rendimentos acima taxa de empréstimos interbancários do Brasil, mostram os dados da Thomson Reuters.

(Reportagem adicional de Dominique Vidalon)

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