Lava Jato avança sobre contratos da Petrobras com estrangeiras; Vaccarezza é preso

Por Pedro Fonseca

(Reuters) - A Polícia Federal realizou nesta sexta-feira simultaneamente duas novas fases da Lava Jato para investigar crimes de corrupção, desvio de verbas públicas e lavagem de ativos na contratação de empresas estrangeiras pela Petrobras, ampliando o alcance da operação para mais países.

O ex-deputado pelo PT Cândido Vaccarezza, que foi líder dos governos Lula e Dilma na Câmara, foi preso acusado de receber cerca de 500 mil dólares em propina por intermediar contratação pela estatal da empresa norte-americana Sargeant Marine para fornecimento de asfalto, de acordo com o Ministério Público Federal.

Segundo os procuradores, a influência de Vaccarezza em decorrência do cargo que ocupava culminou na celebração de 12 contratos da petroleira com a Sargeant Marine no valor de aproximadamente 180 milhões de dólares entre 2010 e 2013.

Também foi decretada a prisão de representante da Sargeant Marine no Brasil, bem como de dois gerentes da Petrobras à época acusados de envolvimento no esquema, mas o agente da companhia norte-americana está atualmente na Flórida e não foi preso, de acordo com a Polícia Federal.

Não foi possível fazer contato com representantes de Vaccarezza e da Sargeant Marine.

Os investigadores disseram que ainda estão apurando o possível conhecimento pelo comando da Sargeant Marine dos atos de irregularidade cometidos pelo representante da empresa no Brasil.

"A responsabilidade dos dirigentes da Sargeant Marine continua sob apuração. Temos reuniões de dirigentes que vieram ao país em duas ou três oportunidades, tiveram reuniões na Petrobras", disse o procurador da República Paulo Roberto Galvão, em entrevista coletiva em Curitiba.

"Não conseguiu-se até o momento aprofundar-se sobre a existência de dolo, ou se eles tinha conhecimento de pagamento de propina”, afirmou Galvão, acrescentando que possivelmente o esquema de pagamento de propina continuou posteriormente.

"EMPRESAS ESTRANGEIRAS NÃO SERÃO POUPADAS"

A outra ação simultânea da PF deflagrada nesta sexta-feira investiga relação suspeita entre executivos da Petrobras e um grupo de armadores estrangeiros para obtenção de informações privilegiadas e favorecimento para contratos milionários, segundo a PF. Essa fase foi nomeada Sem Fronteiras.

De acordo com o Ministério Público Federal, esse esquema envolveria a participação do cônsul honorário da Grécia no Brasil, Konstantinos Kotronakis, para a facilitação de contratação de navios gregos, mediante o fornecimento de informações privilegiadas e pagamento de propinas.

Por meio do esquema, grupos empresariais dos quais Kotronakis é sócio ou têm vínculos indiretos formalizaram contratos de afretamento com a Petrobras, entre os anos de 2009 a 2013, em valores que superam 500 milhões de dólares, de acordo com os investigadores.

"Ao menos 2 por cento desses valores eram destinados ao pagamento de propina a funcionários públicos corrompidos, operadores financeiros e agentes políticos", afirmou o MPF em comunicado.

O MPF e a PF investigam suspeita de favorecimento às empresas gregas Olympic Agencies, Perosea Shipping, Tsakos, Aegean Dynacom Tankers Management, Galbraiths e Dorian Hellas em contratos com a Petrobras.

O consulado da Grécia no Rio de Janeiro não tinha uma posição de imediato sobre a ação da PF, e não foi possível fazer contato de imediato com nenhuma das companhias gregas citadas pelos investigadores.

"Estas novas operações deixam um recado claro: empresas estrangeiras não serão poupadas na Lava Jato. Muitas multinacionais têm tradição de cooperar com as investigações, mas é uma vergonha que várias delas não tenham atuado proativamente para investigar os fatos e contribuir com a Justiça brasileira", disse o procurador da República Athayde Ribeiro Costa, em comunicado.

No total foram expedidos 46 mandados judiciais nas duas etapas, sendo 6 de prisão em São Paulo, Santos e Rio de Janeiro. Há ainda 29 mandados de busca e apreensão e 11 mandados de condução coercitiva, informou a PF.

As duas investigações deflagradas nesta sexta-feira tiveram início a partir de relatos do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa em seu acordo de delação premiada.

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