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BC reduz Selic a 8,25% ao ano e indica desaceleração "gradual" no ritmo de cortes

Por Patrícia Duarte

SÃO PAULO, 6 Set (Reuters) - O Banco Central cortou nesta quarta-feira a taxa básica de juros em 1 ponto percentual, a 8,25 por cento ao ano e indicou que vai desacelerar o ritmo de reduções de forma "gradual", ou seja, de maneira mais branda, em meio ao cenário cada vez mais favorável da inflação, mesmo com sinais um pouco mais consistentes de recuperação econômica.

"Para a próxima reunião (em outubro), caso o cenário básico evolua conforme esperado, e em razão do estágio do ciclo de flexibilização, o Comitê vê, neste momento, como adequada uma redução moderada na magnitude de flexibilização monetária", destacou o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC em comunicado.

"Além disso, nessas mesmas condições, o Comitê antevê encerramento gradual do ciclo", completou.

Em pesquisa Reuters, 29 de 30 analistas consultados previam corte de 1 ponto agora.

Esse foi o oitavo corte deste ciclo de afrouxamento que começou em outubro passado e que, agora, levou a Selic ao menor nível desde julho de 2013. A mínima histórica aconteceu em outubro de 2012, quando ela foi a 7,25 por cento.

"O comportamento da inflação permanece bastante favorável, com diversas medidas de inflação subjacente em níveis baixos, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária", explicou o Copom.

O cenário de inflação está cada vez mais benigno, sobretudo pela forte queda nos preços dos alimentos. Pela manhã, foi divulgado que o IPCA de agosto subiu menos do que o esperado, acumulando em 12 meses alta inferior a 2,5 por cento, muito abaixo do piso da meta oficial --de 4,5 por cento, com margem de 1,5 ponto percentual.

Com isso, algumas instituições financeiras já reduziram suas expectativas para a inflação, como o banco UBS, que passou a ver a alta do IPCA em 3,2 por cento neste ano, sobre 3,7 por cento.

O BC também diminuiu a projeção de inflação pelo cenário de mercado para em torno de 3,3 por cento em 2017, ante 3,6 por cento em sua última estimativa. Para 2018, a perspectiva de alta do IPCA subiu a 4,4 por cento, contra 4,3 por cento antes. Esse cenário supõe que trajetória de juros encerra 2017 em 7,25 por cento, cai para 7,0 por cento no início de 2018 e sobe para 7,5 por cento ao fim do ano.

"O Copom está sinalizando que nessa fase do ciclo está começando a pensar em ter reduções (da Selic) um pouco menores. Dessa forma, a maior probabilidade é de corte de 0,75 ponto na próxima reunião", afirmou o economista da Opus Gestão de Recursos, José Márcio Camargo.

Nesta sessão, os DIs já passaram a precificar que o BC vai desacelerar menos o ritmo de corte de juros em outubro após a inflação de agosto ter vindo abaixo do esperado. Para o encontro de 24 e 25 de outubro, as apostas de redução de 0,75 ponto na taxa básica de juros passaram a ficar amplamente majoritárias. Até então, elas estavam praticamente divididas entre corte de 0,75 e 0,50 ponto.

O Copom também desenhou o cenário de risco para a inflação que, por um lado, possíveis efeitos secundários dos preços de alimentos e da baixa inflação de bens industriais, além da inércia da fraca inflação, poderiam gerar "trajetória de inflação prospectiva abaixo do esperado".

Por outro lado, a eventual frustração das expectativas sobre a continuidade das reformas e ajustes necessários na economia brasileira poderia elevar a trajetória da inflação.

O BC também informou que "entende que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural".

"O BC reconhece que estamos em torno da taxa de juros estrutural. A queda da Selic continua, mas de maneira estrutural", afirmou o economista-chefe do banco Fator, José Francisco Gonçalves, para quem o BC reduzirá a Selic em 0,75 ponto em outubro e encerrará o ciclo em janeiro de 2018 com a taxa a 6,75 por cento.

Após a decisão do Copom, o porta-voz da Presidência, Alexandre Parola, comentou a queda dos juros e disse que o "controle da inflação com base em políticas fiscais responsáveis executadas pelo governo do presidente Michel Temer tem permitido a redução constante e sustentável dos juros no país."

Juros mais baixos podem ajudar a consolidar a recente melhora no consumo e no mercado de trabalho, que contribuiu para gerar crescimento econômico acima das expectativas do mercado no segundo trimestre.

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