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Cemig diz estar perto de vender ativos e renegociar dívidas com bancos

SÃO PAULO (Reuters) - A Cemig está perto de concluir uma renegociação com bancos para mudar o perfil de sua dívida, que concentra vencimentos principalmente em 2017, 2018 e 2019, e vendas de ativos em negociação pela companhia também estão próximas de serem fechadas, disse nesta quinta-feira o superintendente de Relações com Investidores da elétrica, Antônio Carlos Velez Braga.

A Cemig fechou o terceiro trimestre com dívida líquida de 12,8 bilhões de reais, o que representou 6,20 vezes a geração de caixa no período, contra 3,98 vezes ao final de junho.

"Devemos fazer o anúncio do reperfilamento (da dívida) a qualquer momento, estamos finalizando esse processo", disse Braga.

Ele afirmou que a Cemig também pretende fazer "no curto prazo" uma captação de recursos no exterior para pagar parte da dívida, assim como levantar recursos com vendas de ativos, em um plano que prevê arrecadar 8 bilhões de reais com desinvestimentos em um período não divulgado.

A Cemig anunciou neste ano um enorme plano de desinvestimentos, e segundo o executivo os primeiros movimentos deverão ser a venda de uma fatia na transmissora de energia Taesa e a conclusão de negociações para a venda da participação da companhia na hidrelétrica de Santo Antônio, na Renova Energia e na Light.

Ele disse que os recursos obtidos com as vendas devem ser utilizados para pagar dívidas e reduzir a alavancagem da companhia.

"Com todos esses desinvestimentos, estaremos bem próximos de chegar ao patamar (de relação entre dívida líquida e geração de caixa) de 2,5 vezes ano que vem", apontou Braga.

A Renova Energia recebeu uma proposta da canadense Brookfield. Segundo o superintendente da Cemig, a operação deve ser fechada "no começo do ano que vem".

Já a hidrelétrica de Santo Antônio, que atraiu interesse dos chineses da State Power Investment Corp. (SPIC), deve ter a negociação encerrada "nos próximos meses", de acordo com Braga.

Fora esses movimentos, a Cemig ainda está promovendo um aumento de capital de cerca de 1 bilhão de reais.

Ao ser questionado por um analista, Braga admitiu que a Cemig pode realizar uma nova subscrição de ações no futuro se o aumento de capital não obter os recursos esperados.

"Precisamos deixar a subscrição seguir seu curso e no final ver o nível de subscrição e analisar como será feita a homologação dela. Se for o caso, podemos chamar outra subscrição", afirmou.

LIGHT E TAESA

A venda da Light já passou por um primeiro estágio, de recebimento de ofertas não vinculantes, e deverá ser concluída no segundo trimestre de 2018, segundo os executivos da Cemig.

Com esse cronograma, no entanto, a empresa precisará levantar recursos no curto prazo para cumprir uma obrigação de comprar a fatia de seus sócios na Light ainda neste mês.

Os sócios da Cemig na Light acionaram uma opção de venda de suas participações na elétrica que obriga a companhia mineira a comprar suas ações ou encontrar um terceiro interessado. O negócio envolve cerca de 1,4 bilhão de reais.

Segundo Braga, a Cemig vai cumprir parcialmente o compromisso com recursos que virão da venda de ações fora do bloco de controle na Taesa. O restante deverá ser negociado para pagamento após a conclusão da venda da Light.

Segundo Braga, a Cemig irá nos próximos dias selecionar as melhores ofertas apresentadas pela Light para passar então a uma fase de due diligence e depois receber propostas vinculantes pelo ativo.

(Por Luciano Costa)

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