Em reta final, Temer participará de jantar com base aliada na busca de votos pela nova Previdência

Por Ricardo Brito e Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) - O presidente Michel Temer vai participar de uma jantar no domingo com presidentes e lideranças partidárias no domingo no esforço do governo para conquistar votos para aprovar a reforma da Previdência enxuta na Câmara ainda neste ano, afirmaram à Reuters duas fontes com conhecimento das tratativas.

O encontro será realizado na residência oficial da Câmara e está sendo promovido pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que tem feito uma dobradinha com o governo para tentar votar a proposta.

Um dos vice-líderes do PMDB na Câmara e cotado para assumir a Secretaria de Governo, Carlos Marun (PMDB-MS) elogiou a iniciativa do presidente de participar do encontro. Para ele, a nova versão da reforma ainda não foi "assimilada" pela base aliada.

"O governo está num momento de prestar esclarecimentos", afirmou Marun. O deputado disse que, até o momento, não houve nenhuma definição sobre a eventual ascensão dele para a Secretaria do Governo, no lugar do tucano Antonio Imbassahy.

Deputados da base têm se queixado também que a minirreforma ministerial não foi concluída --especialmente a completa saída dos tucanos do governo-- e que o novo texto da Previdência ainda causará estragos eleitorais para os parlamentares que o apoiarem.

O Palácio do Planalto trabalha para votar a proposta, no plenário da Câmara em primeiro turno, na próxima quarta-feira.

Em entrevista coletiva mais cedo, O ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, afirmou que o governo não aceitará fazer novas concessão ao texto apresentado pelo relator da reforma, deputado Arthur Maia (PPS-BA), na semana passada.

Segundo uma fonte, Temer também deverá se reunir com o governador de São Paulo e provável futuro presidente do PSDB, Geraldo Alckmin, para tratar da saída dos tucanos do governo e do apoio que a legenda --até então principal aliada na agenda econômica-- dará ao novo texto da reforma da Previdência.

Na coletiva, Padilha afirmou que o PSDB não é mais da base de sustentação do governo e afirmou que espera o apoio do PSDB na reforma ocorra pela "histórica" defesa do partido à proposta. Ele disse que Alckmin poderá ajudar na aprovação do texto se se manifestar "objetivamente" a favor do texto.

Na conta mais otimista, segundo uma fonte palaciana, o governo teria 280 votos favoráveis à reforma. Precisaria conquistar cerca de 50 votos para ter uma maioria de segurança para passá-lo na Câmara --são necessários os votos de pelo menos 308 dos 513 deputados para aprovar uma emenda à Constituição.

Uma liderança governista tinha um prognóstico mais pessimista antes da apresentação do novo texto, contabilizando 220 votos.

PRAZO LIMITE

O líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), afirmou que o prazo limite para votar a reforma da Previdência neste ano vence na penúltima semana de trabalhos no Congresso, já que os últimos dias de sessões do Legislativo serão dedicados à votação do Orçamento.

Aguinaldo defende que a proposta seja votada ainda neste ano e prevê maior dificuldade para a aprovação do texto se a votação for deixada para 2018. “Eu acho que o esforço de votar deve ser neste ano porque no ano que vem começa o calendário eleitoral”, disse a jornalistas.

“Temos que votar até a semana do dia 17”, disse. “Antes da última semana (de trabalhos), até porque a última semana temos que votar orçamento.”

O Congresso funciona até o dia 22 e depois entra em recesso parlamentar, retomando suas atividades apenas em fevereiro. Deputados terão, portanto, como prazo limite para votar a Previdência a semana entre os dias 11 e 15 de dezembro, enquanto o Congresso poderá se dedicar ao Orçamento entre os dias 18 a 22.

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