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Opep e Rússia concordam em estender cortes de produção até o fim de 2018

Por Alex Lawler e Rania El Gamal e Shadia Nasralla

VIENA (Reuters) - A Opep e produtores de fora do grupo, liderados pela Rússia, concordaram nesta quinta-feira em prolongar os cortes de produção de petróleo até o fim de 2018, em meio a uma tentativa de terminar de eliminar um excesso global de petróleo, enquanto ainda sinalizam que poderão interromper o acordo mais cedo caso o mercado superaqueça.

A Rússia, que não é membro da Opep e que este ano reduziu a produção de forma significativa com o cartel pela primeira vez, vem pressionando por uma mensagem clara sobre como sair da política de cortes, de modo que o mercado não mude para um déficit muito cedo, os preços não subam tão rápido e empresas dos EUA não aumentem a produção ainda mais.

A Rússia precisa de preços muito mais baixos para equilibrar seu orçamento do que a líder da Opep, Arábia Saudita, que está se preparando para uma listagem da estatal petrolífera Aramco no mercado de ações no próximo ano e que, portanto, poderia se beneficiar do petróleo em preços mais elevados.

O atual acordo dos produtores, sob o qual estão reduzindo a oferta em cerca de 1,8 milhão de barris por dia (bpd), em um esforço para dar suporte aos preços do petróleo, expira em março.

O ministro de Energia da Arábia Saudita, Khalid al-Falih, disse a repórteres que a Opep e os aliados de fora do grupo haviam concordado em estender os cortes em nove meses até o fim de 2018, como foi amplamente antecipado pelo mercado.

A Opep também decidiu limitar a produção da Nigéria e da Líbia nos níveis de 2017, abaixo de 2,8 milhões de barris ao dia, acrescentou ele. Os dois países foram anteriormente isentos de cortes devido a disputas locais e produção inferior ao normal.

Falih disse que era prematuro falar sobre o fim de cortes ao menos por alguns trimestres, uma vez que o mundo estava entrando em uma temporada de baixa demanda de inverno. Ele acrescentou que a Opep iria examinar o progresso na sua próxima reunião regular em junho.

"Quando chegarmos a uma saída, vamos fazer isso muito gradualmente... para garantir que não chocaremos o mercado", disse ele.

Alguns ministros disseram antes da reunião desta quinta-feira que uma revisão do acordo atual seria possível na próxima reunião da Opep, em junho, caso o mercado fique muito apertado.

Um comunicado conjunto de países membros e não membros da Opep disse que a próxima reunião em junho de 2018 apresentaria uma oportunidades de ajustar o acordo com base nas condições do mercado.

Os futuros do petróleo Brent subiram 0,73 por cento nesta quinta-feira, fechando a 63,57 dólares por barril.

EXCEDENTE OU ESCASSEZ?

Com os preços do petróleo Brent sendo negociados acima dos 60 dólares por barril, a Rússia questionou mais cedo a sensatez de estender os cortes existentes de 1,8 milhão de barris por dia até o fim do próximo ano, uma vez que tal medida poderia desencadear uma alta na produção dos Estados Unidos.

"Se produtores dos EUA aumentarem o número de sondas ao longo dos próximos poucos meses devido aos preços mais altos, então eu espero outro colapso nos preços até o fim de 2018", disse o presidente-executivo do conselho da Pioneer Natural Resources, Scott Sheffield, uma das maiores produtoras da bacia Permiana no Texas e Novo México.

"Eu espero que todas as companhias de xisto dos EUA mantenham seu atual número de sondas e usem todo o excesso de fluxo de caixa para aumentar dividendos de volta aos acionistas", disse ele à Reuters.

Gary Ross, um observador veterano da Opep e fundador da consultoria Pira, disse que o mercado poderia se surpreender positivamente com os preços do Brent subindo até 70 dólares por barril caso houvesse qualquer grande interrupção.

"Em todo lugar que você olha há um risco iminente à oferta", disse Ross.

(Reportagem adicional de Ernest Scheyder, Ahmad Ghaddar e Vladimir Soldatkin)

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